Curitiba - Não é de hoje que as relações são complexas, como lembra a psicanalista Monica Bigarella. ''O que acontece é que hoje existem mais pessoas. E essas pessoas vivem mais, tem mais expectativas e perspectivas de vida'', analisa. Além disso, há uma idealização maior. Segundo a psicanalista, os seres humanos costumam amar a ''idéia do amor'' e não quem está ao seu lado. Para Monica existem diversas formas de amor e os amantes vão se moldando a elas de acordo com seus próprios interesses.
Num relacionamento longo, por exemplo, os casais passam por várias fases e em diferentes períodos descobrem formas diferentes de amar. ''Quando os filhos são pequenos, acontece de um jeito, quando são adolescentes, de outro, quando o casal não tem filhos, enfim... são essas descobertas de novas formas de se relacionar que transformam a relação num casamento duradouro''.
E quando descobrir esse novo formato não está nos planos dos parceiros, o rompimento ou a infelicidade são caminhos naturais e (quase) inevitáveis. O conselho é ''cuidar'' do relacionamento. E em relação a esse cuidado, a psicanalista entende que cada casal deve saber quais são suas necessidades. ''Nessa hora conta a formação e os objetivos de cada indivíduo. Além disso, os relacionamentos modernos exigem que as pessoas estejam em dia com suas próprias frustrações'', conclui, citando uma frase de Jacques Lacan (1901- 1981): ''Amar é dar aquilo que você não tem''. (K.M.P)

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