Ser mãe por amor é uma condição que se conquista. Uma história que a CompaÀia Ferroviária de Artes Escénicas, da Espanha, estréia de hoje no Filo, com reapresentações até domingo, no Circo Funcart, contará no espetáculo ''Círculo de Giz Caucasiano''.
O texto de Bertolt Brecht, inspirado na história bíblica do Rei Salomão em que duas mulheres disputam para provar quem é a mãe de uma criança e numa lenda chinesa, é transportada para um lugar em que a imaginação é a melhor observadora do que se vê no palco. ''Propomos um espaço com poucos elementos, que servem apenas para o espectador seguir a história'', afirma Paco Macià, que co-dirige o espetáculo com Isabel Úbeda.
Ferroviária de Artes Escénicas começou como uma companhia de dança contemporânea, incorporando, aos poucos, a linguagem teatral, como consequência de uma visão global das artes cênicas.
Macià destaca que cenografia, criada por Ángel Haro, composta por um grande muro, ajuda o público a passar pelos diferentes tempos da história. O diretor conta que o grupo é aberto às novas linguagens, convidando outros artistas, como Úbeda, para contribuírem com o próprio trabalho.
Ela foi convidada para co-dirigir a produção porque tem experiência com o teatro físico, que busca a construção de formas compreensíveis ao imaginário, através do corpo do ator.
Na montagem, no meio de uma guerra pelo trono do Grão Duque Grushe, sua jovem criada deverá assumir um bebê, o príncipe herdeiro, abandonado pela mãe. Grushe irá protegê-los dos soldados, enfrentando grandes dificuldades que ameaçam a sua vida.
O espetáculo estreou em 2006. A companhia sempre busca investigar os temas sociais em suas montagens, estando em fase de produção de um novo espetáculo inspirado no texto ''A Intrusa'', do escritor argentino Jorge Luís Borges, sobre dois irmãos apaixonados pela mesma mulher. Um triângulo amoroso que termina em tragédia.

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