Amor em jogo
Ricardo Linhares teve total liberdade para mexer na história idealizada por Dias Gomes. E aproveitou isso bem. Se na época o romance ficava completamente fora da trama central, desta vez é um dos "motores" de "Saramandaia".
Prova disso é a determinada Vitória, papel de Lilia Cabral, que não existia na primeira versão e foi criada no posto de protagonista, ao lado de Zico, repetindo Lilia e Mayer como casal. Ambos já experimentaram essa situação outras vezes, sendo a última delas em "Viver a Vida", novela de Manoel Carlos. Na história atual, ela e Zico se entregam à paixão mal resolvida há 30 anos, em função da rivalidade de suas famílias. "Vamos acompanhar três gerações de amor e ódio, três romances interrompidos por essa disputa", avisa Ricardo.
Outra aposta romântica do autor está no par formado por Gibão e Marcina, papel de Chandelly Braz. A jovem atriz, que participou do seriado "Clandestinos O Sonho Começou" e se destacou na pele da "periguete" Brunessa, de "Cheias de Charme", encarna a ardente personagem vivida por Sônia Braga logo depois que a atriz protagonizou a primeira versão de "Gabriela". "Gibão é o grande representante de como as pessoas são tratadas com intolerância. Ele acha que a sociedade não está preparada para aceitar pessoas com características diferentes das outras", conta o autor, transparecendo que essa relação é uma das que mais emocionam no folhetim.
Ricardo embarcou tão fundo no realismo fantástico proposto por Dias Gomes que se aventurou ao criar novos papéis com particularidades surreais. Candinha, mãe de Zico e interpretada por Fernanda Montenegro, conversa com galinhas imaginárias. Tibério, pai de Vitória e vivido por Tarcísio Meira, de tanto ficar sentado, cria raízes que penetram o assoalho de sua casa. E a própria Vitória, que literalmente se derrete de amores por Zico, transpirando em excesso. "A brincadeira de transformar essas expressões em personagens e ações é o grande barato de Saramandaia", frisa Ricardo. (M.M.)





