|
  • Bitcoin 148.867
  • Dólar 4,8934
  • Euro 5,1668
Londrina

Folha 2

m de leitura Atualizado em 05/04/2022, 17:29

Amor e guerra entre a Bolívia e o Paraguai

Em seu novo livro, Luiz Taques narra uma história de paixão no interior das consequências de uma guerra na América do Sul

PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 06 de abril de 2022

Marcos Losnak/ Especial para a Folha
AUTOR autor do artigo

Foto: Regina Taquez/ Divulgação
menu flutuante

O novo livro de Luiz Taques possui um título quilométrico: “Aposto Que Você Nem Sabia do Namoro Dela Com um Ex-combatente da Guerra do Chaco”.

Lançado pela editora Maria Petrona em edição bilíngue, a novela narra a trajetória de Dolores, uma mulher em busca de paixões. Nas palavras do autor, “o retrato fiel daquelas mulheres que têm no caráter a sua fortuna mais relevante”. 

Tendo como atmosfera de fundo a Guerra do Chaco, batalha travada entre Paraguai e Bolívia entre 1932 e 1935 que deixou profundas marcas na população dos dois países, a novela revela as sequelas subjetivas que uma guerra é capaz de deixar além de vencedores e vencidos.

Nascido em Corumbá e radicado em Londrina, o jornalista e escritor Luiz Taques é autor de “Madá” (2011) “Pedro” (2013), “Um Rio, uma Guerra” (2016), “Mulas” (2019) e “Boa Hora para Lembrar de Vivi Bandoleiro” (2020), entre outras obras. A seguir o autor fala sobre seu novo livro.

Em “Aposto Que Você...” as memórias da Guerra do Chaco aparecem como pano de fundo para a história de uma mulher de paixões. Por que a escolha da Guerra do Chaco?

Com esse livro, eu queria prestar um tributo a um ex-combatente da Guerra do Chaco que morou, em Corumbá, na mesma rua em que minha mãe mora até hoje. Eu tinha 20 anos de idade e me encontrava em Assunção, no Paraguai, quando ele morreu. Fui ao enterro. Pelo cemitério desfilavam inúmeros homens fardados. Um deles, ao perceber que eu era brasileiro, aproximou-se e perguntou se eu sabia que o falecido era um ‘herói’ de guerra. Disse que não. Após o sepultamento, fomos ao apartamento dele. Enquanto a filha, obedecendo ordens do pai, tocava piano, ele falava com orgulho para mim sobre a Guerra do Chaco. Lógico, com a ótica dos déspotas paraguaios. Afinal, o ano era de 1978 e o general-ditador, Alfredo Stroessner, governava o país com prisões ilegais, torturando e assassinando os opositores. Não há, na minha novela, vencidos ou vencedores. Apenas a desumanidade que toda guerra consagra. O ex-combatente vivia como anônimo em Corumbá. Arrumei, então, uma namorada para ele: Dolores.   

“Aposto Que Você Nem...” está sendo lançado em edição bilíngue, português e espanhol. Por que a escolha em lançar a obra em duas línguas?

A edição bilíngue é uma modesta homenagem aos países de língua espanhola. Além disso, pretendo passar, no segundo semestre do ano que vem, uns meses na Bolívia. Penso em ficar um pouco em Santa Cruz de La Sierra, Cochabamba e Potosí. Nasci e fui criado na fronteira. Tenho amigos bolivianos ou filhos de bolivianos. Com todos os bolivianos que encontro em Corumbá, eu pergunto sobre a Guerra do Chaco. A conversa flui, porque essa guerra ainda está muito viva no imaginário dos habitantes do país vizinho. A Guerra do Chaco foi uma guerra entre duas nações pobres da América do Sul: Bolívia e Paraguai. E foi manipulada por duas potências mundiais: Inglaterra e Estados Unidos. A Guerra do Chaco só interessava à ganância econômica de ingleses e de norte-americanos.

No texto de apresentação do livro você diz que queria fazer uma obra sobre a Guerra do Chaco, mas a personagem Dolores invadiu a narrativa e ocupou espaço. Como isso aconteceu?

Caso a Dolores não tivesse aparecido, eu teria de fazer um livro só sobre a guerra. E aí seria complicado para mim, porque eu não sou historiador. Ao reler livros sobre a Guerra do Chaco me lembrei que a guerra caminhou em várias direções. Para um historiador, cada episódio da guerra daria um belo livro. Nas frentes de batalhas, havia, por exemplo, total falta de água. Tanto que soldados paraguaios e bolivianos tinham mais sede do que ódio. Faltava ao Exército boliviano um comando militar. O governo chegou a contratar um general alemão. As técnicas de guerra dele eram ultrapassadas e, além disso, o alemão sofria boicote dos próprios militares bolivianos. O Paraguai tinha um gênio de guerra que era o comandante Estigarribia. Ele deu um banho de estratégia militar nos seus inimigos bélicos. A chegada de Dolores à novela resolveu esse impasse narrativo. Pois Ramiro era um homem solitário; ele trazia cicatrizes profundas na alma provocadas pela guerra. Para conviver com os traumas do pós-guerra, Ramiro precisava de um grande amor. Surge Dolores, com seu esplendor. Mas limitar a vida dela a apenas um amor seria uma agressão literária ao seu coração ardente. Foi assim que ela tomou a dianteira e um narrador imaginário tratou de rememorar as suas grandes paixões.

Capa do livro com desenho de Elisabete Ghisleni Capa do livro com desenho de Elisabete Ghisleni
Capa do livro com desenho de Elisabete Ghisleni |  Foto: Divulgação
 

Serviço:

“Aposto Que Você Nem Sabia do Namoro Dela Com um Ex-combatente da Guerra do Chaco”

Autor – Luiz Taques

Editora – Maria Petrona

Tradução – Ahmad Schabib Hany

Desenho – Elisabete Ghisleni

Páginas – 80

Quanto – R$ 39,90

Onde Encontrar – Loja Ciranda, Rua Hugo Cabral, nº656 - ou pelo e-mail Editora Maria Petrona 

...

Receba nossas notícias direto no seu celular, envie, também, suas fotos para a seção 'A cidade fala'. Adicione o WhatsApp da FOLHA por meio do número (43) 99869-0068 ou pelo link link