Nada de novo sob o sol. Aliás, tudo muito velho, recendendo a mofo. Filmes como ''Amor à Segunda Vista'' são providenciais para a formulação de teorias tão desinteressantes e inúteis quanto o objeto das mesmas. A saber: muitas vezes no cinema as coisas são exatamente o que parecem ser. ''Amor à Segunda Vista'', a partir de hoje em lançamento nacional (veja a programação de cinema nesta página), não quer enganar a ninguém. Muito menos a quem se habituou a acompanhar a caminhada de sua principal protagonista, Sandra Bullock. Em cerca de meia dúzia de filmes, ela passou da condição de garota mimada de Hollywood a protótipo perfeito de estrela anti-Oscar, sem que as bilheterias e os fãs lhe tenham dado completamente as costas.
Estamos em território Bullock, não há dúvida. Desta vez recorre-se a ela a pretexto de um argumento levemente romântico, reunindo uma advogada socialmente comprometida e um magnata inescrupuloso. Ela trabalha para ele, deixando parcialmente de lado seus princípios progressistas. Até que aparece uma advogada rival que promove a necessária readequação da trama e o encaminhamento para o happy end. Um certo ar impositivo de sofisticação remete ao mestre George Cukor. Mas Cukor sabia tratar as mulheres, enquanto o diretor Mark Lawrence é apenas um aprendiz sem grandes chances de chegar nem ao menos nas imediações. E nem se ele quisesse: o tal território Bullock é imune a qualquer boa intenção de revisionismo clássico, já que a moça molda qualquer roteiro a sua imagem e semelhança. E se por um lado não precisamos lamentar uma falida comédia nostálgica, por outro temos que lamentar outro show ao redor da persona Bullock - é a primeira heroína romântica a enfrentar diarréia ou a abusar da bebida como recurso de comicidade.
O filme avança através de uma sucessão de diálogos que tentam, com esforço estéril e sobre-humano, imitar a sagacidade de roteiristas como I.A.L. Diamond, o parceiro em algumas obras-primas de Billy Wilder. Resultam referências pseudo-culturais, mal-entendidos e piadas sem cor ou sabor. A Sandra Bullock deve-se acrescentar a desorientação de Hugh Grant, que havia renascido como bom ator em ''Um Grande Garoto''. Não há porque falar de química entre este casal unido a forceps em nome do box-office.

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