Espadachim luta contra tirano pelo amor de uma donzela. A sinopse de ‘‘A Padroeira’’, a nova novela global das seis, que estréia hoje, bem que poderia ter saído dos livros de Alexandre Dumas. Mas a história de amor de Valentim e Cecília, personagens de Luigi Baricelli e Deborah Secco, foi concebida mesmo por Walcyr Carrasco, fã confesso do romancista francês. Por isso mesmo, ‘‘A Padroeira’’, revisita alguns ‘‘clichês’’ dos romances de capa e espada, como duelos de florete e juras de morte, que Dumas celebrizou em ‘‘Os Três Mosqueteiros’’ e ‘‘O Homem da Máscara de Ferro’’.
A história começa em 1717, quando Cecília volta ao Brasil na comitiva do Conde de Assumar. No caminho para Guaratinguetá, em São Paulo, a tropa do nobre português é atacada pelo bando de Molina, vivido por Luís Melo, que resolve sequestrá-la. Mas, como não poderia deixar de acontecer, eis que surge o valoroso espadachim para salvá-la do salteador.
O romance entre Valentim e Cecília fica estremecido quando a heroína chega em casa e descobre que o pai ofereceu sua mão ao poderoso Dom Fernão, interpretado por Maurício Mattar. Mas a jovem não cede facilmente às exigências do pai e esnoba o pretendente. Humilhado pela recusa, Dom Fernão jura vingança. A novela ‘‘A Padroeira’’ marca a estréia de Deborah Secco à frente do papel da típica ‘‘mocinha’’. Antes disso, ela só havia feito personagens de caráter duvidoso, como a interesseira Marina de ‘‘Suave Veneno’’ ou a maquiavélica Íris de ‘‘Laços de Família’’. ‘‘Fiquei feliz com o convite, mas a Íris foi uma vilã que se destacou tanto quanto a protagonista’’, orgulha-se a atriz.
A tarefa que ‘‘A Padroeira’’ tem pela frente é das mais inglórias: manter a audiência de ‘‘Estrela-Guia’’, de Ana Maria Moretzsohn , em torno dos 38 pontos. Para tanto, Avancini recorreu a dois destaques de ‘‘Laços de Família’’: os atores Luigi Baricelli e Deborah Secco, que interpretaram Fred e Íris na trama de Manoel Carlos. A decisão de Avancini de promover tais atores à condição de protagonistas pode ser sintoma da dificuldade que a Globo encontra para fechar o elenco de algumas produções, como ‘‘O Clone’’, de Glória Perez. ‘‘Escalar elenco é sempre uma tarefa ingrata, mas acho que cheguei a um bom termo’’, avalia o diretor.
Os personagens de Luís Melo e Patrícia França em ‘‘A Padroeira’’ não são o que aparentam ser. Na trama de Walcyr Carrasco, os dois vão fazer de tudo para se apoderar do mapa das minas de ouro, que Valentim herdou do pai, um nobre considerado traidor pela Coroa portuguesa. Para tanto, o inescrupuloso Molina se disfarça de jesuíta e a dissimulada Blanca de Sevilha tenta conquistar a confiança do rapaz só para descobrir o esconderijo do mapa. ‘‘Nunca fiz uma vilã na tevê e, por isso, morro de medo de ser rejeitada pelo público. Mas isso é bom porque não deixa o ator cair na mesmice’’, pondera Patrícia França.
‘‘A Padroeira’’ é a quarta parceria entre Walter Avancini e Walcyr Carrasco. Os dois se conheceram em 1996, quando Avancini ocupava o cargo de diretor de teledramaturgia na extinta Manchete. Na época, Walcyr escreveu a novela ‘‘Xica da Silva’’ sob o pseudônimo de Adamo Angel por ser contratado do SBT. Na Globo, os dois fizeram a novela ‘‘O Cravo e a Rosa’’ e o episódio ‘‘Casamento Enganoso’’, da série ‘‘Brava Gente’’. ‘‘Às vezes, o Avancini vem com uma sugestão e, antes que ele fale qualquer coisa, eu logo adivinho o que é. A gente combina muito’’, gaba-se.

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