Amor aos pedaços
PUBLICAÇÃO
sábado, 11 de junho de 2011
Márcio Maio <br> TV Press 
Interpretar a heroína de uma novela das nove já é tarefa árdua. Mas Paola Oliveira experimentou uma situação completamente inusitada na pele da romântica Marina de ''Insensato Coração'': defender um amor que demorou cerca de quatro meses no ar para se estabelecer entre o casal principal. Uma situação que até recebeu críticas, mas serviu para a atriz buscar recursos cênicos diferentes e se manter alinhada com o perfil proposto na sinopse da novela.
''O maior desafio de fazer a Marina é deixá-la o mais real possível. As pessoas esperam que o amor seja mostrado como estamos acostumados a ver na tevê. E, quando não encontram isso, questionam se aquilo vai dar certo. Eu acho que a Marina é uma mulher real, que pode ser vista nas ruas'', defende. Agora, com a reviravolta que fez a designer se envolver com o cunhado Léo, Paola garante que já há uma torcida forte para ver sua personagem novamente nos braços do piloto Pedro, de Eriberto Leão. ''Mas muita água ainda vai rolar. Estamos só no meio da novela'', pontua.
A Marina é sua primeira protagonista nesse horário. Qual é a diferença de interpretar uma mocinha na faixa nobre?
Não é bem uma diferença, mas uma coisa que me surpreendeu foi o casal principal ter ficado muito tempo sem se encontrar. Foi uma estrutura diferente de novela, sem dúvida. Normalmente, a gente estabelece o casal e, depois, separa. Até para que as pessoas torçam pela reconciliação. Os autores criaram uma situação artisticamente difícil e nova. E tudo que sai do padrão pode causar certa estranheza, isso é normal.
Foi difícil lidar com isso?
Algumas pessoas reclamavam um pouco, mas eu vim de novela das seis. As histórias dessa faixa têm aquele ar platônico, um amor meio impossível ou que não existe. Eu já tinha passado por isso antes. Sendo novela das oito, onde a base costuma ser o realismo, pode ficar mais difícil para quem está assistindo. Mas inovar é importante.
Como atriz, você sentia falta de uma proximidade maior com o Eriberto em cena? Vocês contracenaram muito pouco até o encontro recente do casal...
Eu ficava extremamente ansiosa. Tentava buscar as sensações que preencheriam a Marina durante esse período. Afinal, nem que seja uma vez na vida, quem nunca se apaixonou por alguém que viu uma única vez? Isso existe! Mas, para alguns, soava um pouco inverossímil. Tanto que o público chegou a torcer por personagens improváveis nesse percurso. Acabou dando um tempero diferente para a história.
Como eram as reações do público?
As pessoas chegaram a torcer pelo Henrique (personagem do Ricardo Pereira) e perguntavam até se a Marina iria ficar com o Raul (vivido por Antônio Fagundes)! Cada vez que vinha alguém com quem ela era terna, com quem criava uma amizade, achavam que aquele era 'o' cara. É por isso que eu digo que foi uma estrutura bem ousada da parte dos autores. Vejo que as pessoas torcem cada vez mais pelos vilões, pelas maldades. É uma luta das mocinhas para serem de novo alvo dessa torcida do público, ainda mais às 21 horas.
Muitos defendem que os vilões são personagens mais charmosos...
Sim, os vilões têm seu charme. São eles que apimentam, dão o colorido às novelas. Isso é um fato, as maldades movimentam as histórias. Mas querer que os vilões fiquem cada vez melhores é que não pode. Quando fiz ''Cama de Gato'', as pessoas curtiam as cenas da Verônica, mas com ódio dela. Vou lutar muito pela Marina e adoro quando vejo as pessoas torcendo para ela terminar bem com o Pedro. Porque é o certo. E, agora, isso se estabeleceu melhor. As pessoas já dizem ''puxa, eles estão tão bonitinhos juntos''.
Houve críticas ao casal formado por você e o Eriberto Leão. Como reagiu a esses comentários?
Eu não fiquei chateada porque a gente tem de fazer o que está escrito e a história era assim. Não dá para julgar se existe química ou não entre um casal enquanto os dois ainda não ficaram juntos. ''Insensato Coração'' teve vários personagens e o foco foi bem dividido. A estrutura ficou complicada para que nosso casal sobressaísse de cara. Mas, agora, chegou o momento.
Você aparenta mais segurança em seu discurso hoje do que em trabalhos passados. O que mudou?
Toda vez que a gente está trabalhando, há dificuldades que só quem está envolvido sabe. Cada trabalho é um desafio novo e passar por eles convivendo com tudo que está por trás do que vai ao ar é difícil. Aprendi muito com ''Cama de Gato'' e, logo depois, veio ''Afinal, O Que Querem as Mulheres?'' e ''As Cariocas'', que foram essenciais para mim. Em ''Afinal'' então, aprendi além do que foi exibido. Ganhei demais ali. O trabalho do diretor Luiz Fernando Carvalho tira um pouco a gente do eixo. Era assim que eu estava me sentindo, na expectativa do que seria, de como iria ao ar. E cheguei aqui e peguei uma estrutura um pouco invertida. Tudo isso mexeu positivamente comigo. Nesse momento da novela, estou bem mais confiante mesmo. Já passamos pela fase mais difícil, que era estabelecer esse amor.
Desde que você estreou, em 2004, não parou mais de trabalhar. Isso preocupa você?
Não. E sabe por que não me preocupa? Pois vai chegar o tempo de parar. É bom se renovar e não dá para fazer tudo mesmo. Sei que vou querer descansar em algum momento. Mas hoje, não me preocupa. Até porque não foi uma vontade minha fazer tantos trabalhos, simplesmente aconteceu. E tem outro lado: ''As Cariocas'' foi só um episódio e ''Afinal, O Que Querem as Mulheres?'' teve seis capítulos. E ambas alcançaram um público diferente. É o cansaço que pode me fazer parar, não a exposição. Foram trabalhos diferentes, com equipes distintas.
Você tem se voltado cada vez mais para a tevê. Sente falta de atuar mais em outras áreas?
Eu penso em outras coisas, não nego. Até fiz cinema, mas essa questão também é um pouco de oportunidade. Se a gente tem chance de ir a um determinado lugar que é interessante, vai. Acho que eu tenho de pegar o que me oferecem e é bom. E fiz trabalhos de linhas bem diferentes. Não esqueço o teatro e o cinema, mas a vida tem se aberto e acontecido mais para mim na televisão mesmo. No futuro, posso pensar em parar para me renovar, me reciclar. Mas agora, não me incomodo.
''Insensato Coração'' - Globo - Segunda a sábado, às 21h.


