AML exibe curta feito em Londrina
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segunda-feira, 02 de junho de 1997
Da Redação 
Numa estação de trem abandonada, dois marginais aguardam a chegada do terceiro integrante do bando, que deve trazer o lucro do último assalto. Enquanto esperam em um cenário ermo, a dupla questiona suas vidas. Um deles procura compreender melhor uma série de temas, enquanto o outro prefere a violência para solucionar seus problemas.
Este é o enredo de O Vagabundo Sagrado, primeiro curta-metragem do videomaker Joeli Pimentel. Com Mário Bortolotto e Clóvis Bezerra, a fita foi rodada em Londrina e será exibida hoje, às 20 horas, na Associação Médica de Londrina.
Joeli Pimentel já possuía experiência em documentários quando resolveu rodar o curta-metragem em Super VHS. Eu havia feito três documentários e, com o dinheiro do último, guardei os R$ 300,00 que usei para fazer o filme. Algumas produtoras de Londrina me auxiliaram, emprestando equipamento, e contei ainda com a ajuda de amigos para fazer a abertura e a pré-edição, revela Joeli.
Mas na hora de rodar as cenas as dificuldades aumentaram. O mais complicado era a viabilização técnica, porque em Londrina não se encontra um equipamento legal para alugar e fazer esse tipo de trabalho. Por isso Joeli Pimentel optou por gravar em uma estação de trem desativada. O isolamento do lugar foi trabalhado com linguagem de histórias em quadrinhos, e o cenário ainda foi providencial por apresentar poucos ruídos.
Fizemos o material em vídeo pensando em cinema, mas às vezes sentíamos necessidade de usar uma linguagem de vídeo, comenta Pimentel, que além de dirigir ainda escreveu o roteiro. Além das dificuldades técnicas, o grupo enfrentou um calor de cerca de 35 graus no local. Os vagões estavam muito quentes e cheios de farelos de soja. Cheguei a perder uma bota por causa disto.
Para aprender detalhes técnicos o diretor contou com a televisão. Na falta de um videocassete, Joeli Pimentel assistiu repetidamente a vários filmes na TV, observando a iluminação e a edição utilizadas em cada um. A idéia agora é passar o filme para película para tentar viabilizar sua exibição em cinemas e festivais.
Além disso, estou preparando um longa-metragem. O curta funciona para testar técnicas mas não tem mercado nem retorno financeiro. Já com o longa a história é diferente, afirma Joeli, lembrando que a idéia era rodar o novo projeto em Londrina: Se der certo eu faço na cidade, mas os incentivos são poucos, já fui atrás de várias pessoas e até agora não consegui apoio.
O Vagabundo Sagrado conta ainda com produção e figurino de Christine Vianna, trilha sonora de Alcides e Guto Caminhoto e música de Bernardo Pelegrini. As tomadas foram feitas entre setembro e dezembro de 1996, e as imagens foram digitalizadas num processo que resultou em várias fotografias que estão expostas até o dia 16 no Shopping Rua Canziani (Rua João Cândido, 324, em Londrina). Além da exibição na Associação Médica de Londrina (Praça 1º de Maio, 30), o filme também será mostrado amanhã, às 21 horas, no Bar Valentino (Avenida Bandeirantes, 61).


