ReproduçãoCena de Amistad: reconstituição perfeita de época é um dos pontos altos do novo filme de Spielberg‘‘Amistad’’ é o segundo filme produzido pelo estúdio Dreamworks SKG, criado por Steven Spielberg, Jeffrey Katzenberg e David Geffen em 1993 e custou 40 milhões de dólares. A produção teve problemas jurídicos desde o início das filmagens e a estréia americana, em dezembro passado, só foi possível graças a uma decisão judicial. O filme estava sendo considerado plágio do livro ‘‘Echo of Lions", da escritora Barbara Chase-Riboud, que exigiu uma indenização de US$ 10 milhões. Até o momento, a produção faturou exatos US$ 40 milhões e somente daráá lucro com o faturamento do mercado externo. Spielberg repetiu a fórmula consagrada de seu maior sucesso artístico, ‘‘A Lista de Schindler’’ e todos da Dreamworks esperavam um grande número de indicações ao Oscar. ‘‘Amistad’’ concorre apenas a quatro estatuetas, três técnicas e apenas uma importante, melhor ator coadjuvante para Anthony Hopkins.
A exemplo do que havia feito em 1993 com ‘‘Schindler’’, Spielberg tocou em outra ferida da humanidade, desta vez, uma ferida ‘‘mais americana’’. ‘‘Amistad’’ conta a história de um motim de escravos, ocorrido em 1839, em um navio espanhol. Os 50 amotinados, liderados por Cinqué, matam praticamente toda a tripulação do navio e tentando voltar à África, terminam chegando à costa americana. Tratados como mercadoria roubada da coroa espanhola, os escravos são presos e tem início uma áárdua batalha entre escravagistas e abolicionistas para libertáá-los.
Spielberg caprichou na reconstituição de época. Todo o visual do filme nos remete imediatamente ao ano de 1839 e neste aspecto, a produção é impecáável. O problema maior, como foi ressaltado por diversos jornais americanos, estáá no excesso de liberdades poéticas que o diretor adotou e principalmente no tom por vezes exageradamente maniqueísta do roteiro.
O elenco, encabeçado por Morgan Freeman (Seven), Matthew McConaughey (Contato), Anthony Hopkins (O Silêncio dos Inocentes) e o estreante Djimon Hounsou, que interpreta Cinqué, é competente, porém, o que mais incomoda em ‘‘Amistad’’ é a sensação de que tudo foi feito para arrancar láágrimas e faturar Oscars. O tiro acabou saindo pela culatra. A Academia não se comoveu e parece que o público americano também não. ‘‘Amistad’’, em cartaz nos Estados Unidos desde o início de dezembro passado, faturou até agora somente 40 milhões de dólares. Os produtores esperam que as coisas mudem com a renda do mercado externo.

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