Salvador - O deputado carioca Fernando Gabeira (sem partido), o presidente da Câmara Aldo Rebelo (PC do B/SP), o apresentador Faustão da Rede Globo e o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, o cardeal-arcebispo dom Geraldo Majella Agnelo têm algo em comum para o Grupo Gay da Bahia (GGB) a mais antiga entidade do gênero considerada de utilidade pública do Brasil: são personalidades consideradas amigas dos homossexuais que, no ano passado, praticaram algum tipo de ação considerada benéfica para a luta dos gays contra a discriminação.
  Os quatro integram o lote de 50 pessoas e instituições escolhido para o Oscar Gay, instituído há 16 anos pelo GGB. Receberão o troféu ‘‘Triângulo Rosa’’ com o qual os homossexuais baianos homenageiam pessoas e instituições beneméritas.
  Por outro lado, os inimigos são agraciados com o troféu ‘‘Pau de Sebo’’. Na versão deste ano, o GGB escolheu para receber o ‘‘Pau de Sebo’’, entre outros, o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), o deputado carioca Jair Bolsonaro, o cartunista Ziraldo e o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) que de alguma forma ofenderam os gays.
  Gabeira defendeu o boicote às empresas ‘‘homofóbicas’’ e o apoio às simpatizantes dos homossexuais, enquanto Rebelo declarou, no ano passado, que ‘‘a sociedade precisa discutir os direitos humanos dos homossexuais e a Câmara Federal deve se posicionar sobre o tema’’. Já o apresentador Faustão ganhou o ‘‘Triângulo Rosa’’ por ter dedicado mais de uma hora do seu programa para ‘‘a discussão da relação entre mães e filhos homossexuais, dando total liberdade aos entrevistados, inclusive um militante do movimento homossexual’’. O presidente da CNBB agradou aos gays por dizer que ‘‘é legítima a reivindicação dos homossexuais de viver na sociedade sendo respeitados em suas diferenças, sem discriminações ou perseguições que os oprimam’’.
  Por outro lado, ACM desagradou os homossexuais quando num dos seus discursos inflamados contra o governo Lula provocou: ‘‘Quem é esse gay forte do governo é o que eu quero saber. Não pode ser um gay fraco, porque não conseguiria o dinheiro para esse apoio’’. O representante dos militares no Congresso, o deputado Bolsonaro também foi na mesma linha ao se referir aos homossexuais como ‘‘boiolas’’ e declarar no plenário da Câmara: ‘‘não queremos homossexual passivo nem ativo neste governo!’’. O cartunista Ziraldo ‘‘azedou’’ suas relações com o GGB ao tachar de ‘‘proselitismo’’ a ‘‘demonstração de carinho do casal de lésbicas na novela Senhora do Destino’’, da Rede Globo. Os gays também acharam que o INSS merecia o ‘‘Pau de Sebo’’ por ter contestado o direito de um gay ser beneficiário da pensão previdenciária por morte de seu companheiro, assim como o complemento da Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil.
  Conforme Marcelo Cerqueira, presidente do GGB, o Oscar Gay tem o objetivo de ‘‘estimular os simpatizantes a defenderem com coragem a cidadania plena dos homossexuais e erradicar a intolerância homofóbica’’. Os premiados recebem pelo correio o diploma com o título merecido.

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