Roma - ‘‘Amém’’, o último trabalho do cineasta grego Costantin Costa-Gravas, que estreou na sexta-feira, na Itália, desatou a crítica do jornal da Conferência Episcopal italiana, que o considera ‘‘uma grande mentira sobre a Igreja’’.
O periódico ‘‘Avvenire’’ publicou que o filme ‘‘oferece uma imagem estereotipada, conformista e falsa sobre a Igreja’’ e acrescenta que alguns cineastas ‘‘se ocupam muito pouco e mal da Igreja em seus filmes, e sempre tiveram pouco interesse na matéria, além de um pouco conhecimento da mesma’’.
O novo filme do diretor Costa-Gravras, premiado em 1982 com a Palma de Ouro em Cannes por ‘‘Missing’’ e cuja atenção se centra normalmente em temas políticos de grande atualidade, é baseado na obra teatral ‘‘O Vigário’’, do alemão Rolf Hochhuth.
‘‘Amém’’ narra a história de um membro das SS hitlerianas, que se rebela ao ver o extermínio nos campos de concentração, e a de um jovem sacerdote, que tenta convencer o Vaticano e diplomatas de países democráticos a pressionar as autoridades nazistas contra o extermínio dos judeus.
Com este filme, o cineasta reabre o debate sobre a atitude do Vaticano durante a II Guerra Mundial, da qual afirma sem rodeios que ‘‘a Igreja desde o início tinha acesso direto ao poder nazista e poderia ter mudado muitas coisas se tivesse denunciado seus abusos desde a chegada ao poder dos nacional-socialistas’’.
A polêmica começou há alguns meses na França, onde uma associação católica denunciou o cartaz publicitário do filme, realizado pelo fotógrafo italiano Oliviero Toscani (famoso por suas agressivas campanhas propagandistas para a empresa de moda Benetton), no qual sobrepõe uma cruz cristã e uma suástica nazista.
O assunto acabou nos tribunais, onde a Justiça francesa ditou sentença em favor do diretor grego baseada na ‘‘liberdade de expressão e culto’’. EFE

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