Amélia, aquela que era mulher de verdade e almadiçoada pelas feministas, não foi apenas uma personagem inventada na música de Ataulpho Alves e Mário Lago. A dona em questão trabalhou como empregada da cantora Aracy de Almeida. Os atributos pessoais foram enaltecidos pelo irmão da intérprete, o baterista Almeidinha num belo dia no famoso Café Nice no Rio de Janeiro. ''O Almeidinha disse que tratava-se de uma mulher espetacular, que trabalhava muito, tinha um coração muito bom e que, inclusive, emprestava a ele um dinheiro de vez em quando'', conta o escritor Luizito Pereira. Mário se dispôs a escrever a letra para um samba de Ataulpho falando daquela que não tinha a menor vaidade. Acontece que a letra passou por algumas modificações para adequar-se à melodia. E Mário Lago ficou fulo da vida.
No escritório dos irmãos Vitale, grandes produtores e editores musicais da época, Ataulpho mostrou o que podia ser feito e Mário, chateado, disse não ter reconhecido o que escrevera chegou a pedir para tirar seu nome dos créditos. Mas os Vitale farejaram sucesso e trataram de reconciliar Ataulpho e Mário propondo a compra dos direitos autorais de ''Ai que Saudades da Amélia'', gravada em 1942. ''Nessa época, os dois estavam em ascensão, viviam uma carência de dinheiro muito grande e venderam'', conta Luizito. Resultado: nem Ataulpho Alves nem Mário Lago lucraram nada. A parceria rendeu melhores dividendos com ''Atire a Primeira Pedra'', em 1944.
Ataulpho transformou algumas de suas canções em clássicos da MPB como ''Laranja Madura'', ''Mulata Assanhada'', ''Pois é...'', ''Errei Sim'', ''Ai Aurora'', ''Na Cadência do Samba'', ''Fim de Comédia'', entre outros.(A.M.J.)

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