Qual é a grande banda inglesa dos anos 90? Para boa parte dos britânicos, nunca houve concorrência para a dobradinha Oasis e Blur, cuja rivalidade foi histericamente alimentada pela imprensa pop local ao longo da década.
Desde que surgiram com seus primeiros discos, não houve lançamento de um ou de outro que passasse sem comparações pela crítica, às quais se seguiam inevitáveis repercussões entre os fãs. A badalação da vez é o novo álbum do Blur, intitulado 13, que acaba de chegar às lojas brasileiras pela EMI.
O material é de primeira, ostentando uma tal diversidade sonora que nem parece ter sido registrado numa mesma temporada (no caso, os dois últimos anos) ou burilado pelo mesmo núcleo de compositores. Como se sabe, redundância é regra no universo pop, motivo pelo qual é achincalhado pelo público mais exigente apreciador de gêneros como clássico e erudito.
ReproduçãoNovo álbum da banda, intitulado ‘‘13’’, traz participação de um coral gospel e incursões pelo trip hopBlur, ao contrário do Oasis que apenas reiterou o melodismo retrô de trabalhos anteriores no último álbum, parece ambicionar saídas para o cansado britpop. Jamais fez uma uma canção memorável da estirpe de ‘‘Live Forever’’, ‘‘Slide Away’’ ou ‘‘Supersonic’’ - todas do CD de estréia de seu rival - mas desde o disco anterior vem deixando os irmãos Gallagher para trás em termos de inconformismo estético.
O novo repertório abre com ‘‘Tender’’, canção escolhida para ser o carro-chefe do CD com clipe e single executados à exaustão na terra da Rainha. A faixa traz arranjo para coral ‘‘spiritual’’ de igreja, com participação da London Community Gospel Choir. Vale como curiosidade, mas é superada em vigor por outras faixas, tais como a estridente ‘‘Bugman’’, a psicodélica ‘‘Caramel’’ (com seu experimentalismo de guitarras), a climática ‘‘Battle’’ (trip hop que lembra Massive Attack) ou o mix de delicadeza melódica acústica e distorção sem freios de ‘‘Trimm Trab’’.
Em muitos momentos sobressaem texturas, muito mais do que qualquer outro recurso musical, o que assinala a mão do produtor Willian Orbit, que já trabalhou para Prince, The Cure, Seal e Madonna. A produção, no caso, foi determinante para orientar as inquietações do quarteto. Enfim, não se trata de um disco de fácil assimilação.
Como curiosidade para fãs, o encarte do CD traz uma pintura do guitarrista Graham Coxon, que chega a cantar numa faixa. As meninas, que amam o vocalista titular Damon Albarn, vão detestar. Mas que 13 vai animar a temporada de muitos meninos e meninas pelo mundo todo, ah isso vai.

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