A cada nova temporada a dobradinha distribuidor-exibidor lança mais filmes no mercado nacional com o título original hollywoodiano mantido. O mesmo ocorre com as séries televisivas que circulam pelos canais pagos. Como se fosse tudo muito natural, e todos falassem apenas inglês fluente, a primeira língua, e depois o resto. Não é de admirar, portanto, que cada vez mais se multipliquem atentados ao português. É a era sertanejo-pagodista, em plena vigência dominadora.
  Chega hoje ao circuito local a animação ‘‘Bee Movie’’, título que faz trocadilho com filme B, bê de orçamento, budget em inglês. Mas este é um alto orçamento, produção caprichada da DreamWorks que estranhamente buscou fontes de inspiração na concorrente Pixar. O filme narra as peripécias de Barry B. Benson, abelha produtora de mel, mas com outras ambições. Barry vai para Manhattan, arranja um amigo bem-humorado, se apaixona por uma florista e causa confusão quando processa os humanos por roubarem mel das abelhas.
  Por trás do projeto está o comediante Jerry Seinfeld, idolatrado pelos americanos, mas pouco conhecido no Brasil. Produtor, co-roterista e voz da abelha Barry nas cópias originais no lançamento brasileiro, ele investiu pesado. Mas pelos resultados dificilmente vai recuperar os 150 milhões de dólares que custaram o filme. Filme, de resto, que não se sustenta como um todo equilibrado, oferecendo somente uma sucessão de passagens de interesse desigual.
  O pior deste desequilíbrio é que, se por um lado vai entediar os pequenos que já não mais se cativam pela técnica banalizada, por outro vai ficar devendo aos adultos, brindados apenas com referencias a clássicos do cinema ou a figuras populares como Sting, Larry King, John Travolta e Oprah Winfrey. (C.E.L.J.)

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