AMAZONA DE OCASIÃO
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 11 de julho de 2000
Rodrigo Teixeira TV Press 
As delicadas mãos de Helena Ranaldi seguram com firmeza as rédeas para comandar o corpulento cavalo manga-larga em um haras carioca. O semblante risonho de minutos anteriores fica sério em segundos. Motivo: a atriz de 34 anos se prepara para uma sequência de cenas em que vai cavalgar na pele da personagem Cíntia. Nascida na urbaníssima São Paulo e formada em Educação Física, Helena não tem nada a ver com a veterinária que interpreta em Laços de Família. Atenta aos conselhos que a orientadora de equitação passa durante as gravações, a atriz de pele clara, corpo esguio e cabelos negros, faz o possível para manter a postura correta sobre o cavalo e passar uma aparência de intimidade com o animal. Tenho que me concentro bastante, pois não sou uma cavaleira de mão cheia. Também fico cansada, porque é preciso força para comandar o cavalo, explica a atriz, após meia hora de trotes e galopes sucessivos.
Na verdade, a novela de Manoel Carlos marca o retorno de Helena ao elenco fixo de uma produção. A última novela da atriz foi em 1997, quando ela interpretou a elegante Joana em Anjo de Mim, de Walter Negrão, no horário das 18 horas. Helena acabou a novela grávida de dois meses do filho Pedro, atualmente com dois anos e meio. Depois fez apenas uma participação em Andando Nas Nuvens, como a médica neurologista Lídia, e gravou um episódio do seriado Mulher. Por isso, Helena não pensou duas vezes em aceitar o convite do autor de Laços de Família. Principalmente porque é a primeira vez em que está trabalhando com Manoel Carlos. Ele já tinha me convidado antes, mas sempre estava escalada para outra produção. Sou fã do Maneco e desta vez não perdi a oportunidade, comemora a atriz.
Para viver a determinada Cíntia, Helena fez um laboratório em um pet shop do Leblon, bairro carioca em que também é ambientada a novela. Isto porque na trama de Laços de Família a sua personagem, além de veterinária do haras de Alma, vivida por Marieta Severo, é sócia de uma loja de animais junto com Alex, papel de Daniel Boaventura. A diferença do Maneco é que seus personagens vivenciam as profissões. Não é algo só comentado no texto, reflete Helena. Por isso, a atriz fez questão de ter noções de como lidar com cachorros e preparar remédios veterinários. Passei alguns dias observando o pessoal do pet shop trabalhar. Aprendi, por exemplo, como tirar a temperatura de cães e gatos, garante.
Mas a parte mais difícil para Helena está sendo mesmo as cenas em que envolvem o tratamento dos cavalos. Além de se habituar em dar comida na boca dos animais e manusear as celas e apetrechos de montaria, a atriz está aprendendo a aplicar injeções e perceber as características de um animal doente. Até agora, a situação mais difícil por que passou foi encenar o sacrifício de uma égua desenganada. Foi barra pesada. Tive de fazer o exame de toque no animal. Fiquei muito nervosa, lembra a atriz.
Casada há sete anos com Ricardo Waddington, diretor de Laços de Família, Helena afirma se sentir segura trabalhando com o marido. É a quarta vez em que os dois estão em uma mesma produção. Antes da nova novela das 20 horas, Helena havia sido dirigida por Ricardo em Olho no Olho, em 1993, Quatro por Quatro, em 1996, e Anjo de Mim, em 1997. A atriz, que começou a namorar o diretor durante Olho no Olho, garante que não tem como deixar de ter a relação marido-mulher nas gravações de Laços de Família. Como esposa, tenho maior liberdade para discordar, ao contrário de alguém que está conhecendo-o agora, admite Helena.
Mas a atriz afirma que já está acostumada com brincadeiras de que ela é a primeira dama da novela. Helena também garante que sempre aparecem pessoas do elenco e da produção com comentários maldosos de que, por ser mulher do diretor, teria algum tipo de regalia. É nítido que existe uma pontinha de inveja, acredita Helena. Para a atriz, pelo menos em Laços de Família, este tipo de situação é amenizada, pois mais duas atrizes também são casadas com diretores da produção: Deborah Secco com Rogério Gomes e Flávia Guimarães com Moacyr Góes. Isto é normal na história do cinema e da televisão, tergiversa.


