Amável e divertido
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 12 de dezembro de 2003
Especial para a Folha 2 
Esta é uma época em que costumam surgir coisas deploráveis em nome de Papai Noel. ''Milagre na Rua 34'' e ''O Grinch'' foram as mais recentes, se a memória não falha. Clichês, convenções sentimentais, excessos lacrimogêneos, apelações, tudo muito previsível. E mortalmente chato. Mas nem tudo está perdido, eis que surge este ''Elf'', ou ''Um Duende em Nova York'', também em lançamento nacional a partir de hoje (ceja programação na página 2.
Emotivo, inteligente, satírico e cheio de graça, ''Um Duende...'' não é cem por cento original e nem expressão de vanguarda. O que interessa aqui é que se ri muito dos lugares-comuns em torno do tema sem que por isso seja infiel aos rituais e às tradições festivas de fim de ano.
Elf é um bebê de orfanato, que por engano vai parar no saco de Papai Noel (Edward Asner). Levado para o Pólo Norte, ele é criado junto com os duendes que fazem os brinquedos dos velhinho. Mas é humano, cresce (Will Ferrell) e como humano é lento e pouco hábil em comparação aos seres mágicos. Chega a medir quase um e noventa. E vem o momento de retornar a Manhattan, em busca de seu pai biológico, Walter (James Caan, impagável), um editor de livros infantis que ignora sua existência.
A permanência de Elf na cidade grande provoca os melhores momentos de comicidade, um ingênuo e inocente na selva mais refinada e selvagem do planeta. Vestido de duende, quase não chama a atenção em meio a tantos figurinos bizarros. Bondoso por herança da convivência com Papai Noel, seu desejo de ajudar só traz complicações.
O diretor Joe Dante (''Gremlins'') reaparece em boa forma, com bom timing tanto na construção de gags quanto na direção de atores. Will Ferrell, um dos grandes humoristas do ''Saturday Night Live'', é o ultimo daquela famosa tribo televisiva a desembarcar em Hollywood. Não é surpresa, portanto, a ótima interpretação do cômico. (C.E.L.J.)


