Amarras do poder
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 09 de julho de 1997
Telma Elorza Londrina 
Dorico da SilvaPaulo Cheida Sans: Este lado humorístico é meio recente. Até me casar, meu traço sempre foi trágicoO artista plástico Paulo Cheida Sans abre hoje, às 20h30, exposição de gravuras, na Sala Celso Garcia Cid, no Cine-Teatro Ouro Verde, em Londrina. A mostra faz parte do calendário de exposições do Projeto Sala Celso Garcia Cid, com artistas selecionados, e pode ser visitada até o dia 27.
Com aproximadamente 320 exposições - entre individuais, coletivas e salões de arte, no Brasil e Exterior - e três prêmios internacionais em seu currículo, Sans é professor de Pintura e Gravura no Curso de Educação Artística da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCCamp), membro da International Society for Education Through Art, escritor e foi curador de diversas mostras de arte em Campinas, Campo Grande e Brasília, no Brasil; Havana, Cuba; e La Paz, Bolívia. Além de vários museus no Brasil, tem obras em acervos em Cuba, Bolívia, Chile, Canadá, Finlândia, Portugal, Áustria e Bulgária. Esta é sua primeira exposição em Londrina.
Na mostra, Sans apresenta 30 obras de gravura em borracha tipo linóleo, numa espécie de síntese de seu trabalho como gravador nos últimos 20 anos. Algumas delas participaram de bienais no Exterior. Sou também pintor, desenhista, performer e faço vídeo-arte. Mas para exposições longe de casa é melhor, em termos práticos, expor gravuras que são mais fáceis de carregar - explica.
Gravatas Talvez por isto seja mais reconhecido, no Exterior, como gravador e desenhista. Embora o gravador sofra mais perante a comunidade artística, isto me alegra porque considero a gravura uma das formas mais completas de arte. Para ser gravador tem que ser escultor, pintor e desenhista de primeira linha - afirma.
Em todos os trabalhos expostos em Londrina, um elemento comum: gravatas. Símbolo que, para o artista, representa o poder dominante. Eu desenho desde criança, tendo participado de exposições desde os 12 anos. E, em 82, fazendo uma análise de meus trabalhos de criança, vi que em todos os meus desenhos aparecia alguém de gravata. Era uma coisa intuitiva, sem pretensões. Neste ano, participei do Prêmio Internacional de Dibujo Joan Miró, em Barcelona, onde a principal figura da gravura era um político engravatado de guarda-chuva. A partir daí, retomei este mote (gravatas) em meu trabalho, tanto nas pintura como na gravura - conta.
As gravatas não são os elementos principais desta série de gravuras mas todas as trazem, penduradas ou não em pescoços dominantes e dominados; às vezes saltando do trabalho à primeira vista, outras, num jogo lúdico de esconder. Seu traço, limpo e absolutamente caricatural, traz um humor mordaz e cáustico, onde o ritual de poder está em situações absurdas, numa espécie de cortejo surreal. Este lado humorístico é meio recente. Até me casar, meu traço sempre foi trágico, com personagens sofridos, deformados... Deve ser coincidência - brinca.
q Exposição de Gravuras de Paulo Cheida Sans - Abertura hoje, às 20h30, na Sala Celso Garcia Cid, do Cine-Teatro Ouro Verde (Rua Maranhão, 85). A mostra pode ser visitada até o dia 27, diariamente, das 14 às 17 horas e das 19 às 22 horas.


