Amarguras, frustrações e felicidades
Um pouco de todos os sentimentos que a vida injeta nas almas está nos filmes de François Truffaut. A mostra do diretor na Cinemateca de Curitiba está cheia desses altos e baixos e isso pode ser percebido já na primeira sessão de hoje, que começa com dois curtas, na sessão das 17 horas: Os Pivetes e Antoine et Colette. Aqui estão relacionados também os filmes de amanhã e domingo.
Em Os Pivetes o cineasta dá algumas pinceladas de sua infância tumultuada. Ali está a violência, misturada a um lado inocente e com muita ternura. O enredo se passa na cidade de Nimes. Um bando de garotos persegue um casal de namorados. O rapaz se mata na montanha, enquanto os moleques mandam um cartão- postal para sua noiva.
Já o episódio Antoine et Colette - o primeiro de uma série de cinco esquetes, enfeixadas sob o título Amor aos 20 Anos - é uma lembrança de seus amores frustrados. Durante um concerto em Paris, Antoine tenta abordar Colette, por quem está apaixonado há muito tempo. Um bom sinal: é recebido com simpatia pelos pais da moça, porém ela o deixa para sair em companhia de outro rapaz.
Atirem no Pianista, sessão das 18h30, conta a história de um virtuose no piano, Édouard Saroyan, que tem a carreira interrompida no dia em que sua mulher se suicida depois de confessar que era amante de seu empresário. Ele tenta reerguer a vida, agora com outro nome, mas novas tragédias o esperam. Homenagem de Truffaut ao filme B americano, do qual sempre foi um defensor.
Beijos Proibidos, às 20h30, coloca mais uma vez em cena o personagem Antoine Doinel (Jean-Pierre Léaud) em novas aventuras. Cumprido o estágio no exército, Doinel volta à vida civil, como detetive particular. Sua missão é vigiar uma senhora, por quem acaba se apaixonando.
O programa de amanhã abre com A Noiva Estava de Preto, às 16h30. Jeanne Moreau é Julie Kohler, jovem bela e assassina. Uma serial killer dos anos 60, mas que no final do filme tem uma justificativa para suas matanças.
A História de Adele H., às 18h30, com Isabelle Adjani, mostra o desvario da dor e do amor de uma mulher, em sua perseguição implacável a um homem que a abandonou. O Homem que Amava as Mulheres, às 20h30, é o relato de um homem que por toda a vida apaixonou-se pelas mulheres que encontrava. Por elas, acaba morrendo atropelado.
A Sereia do Mississipi, que será exibido às 16 horas de domingo, não era dos filmes mais apreciados por Truffaut. Belmondo e Catherine Deneuve vivem um estranho casal, Louis e Julie. Belíssima, a jovem esposa foge com todo o dinheiro do marido industrial. Ele acaba por localizá-la e descobre que ela é uma garota de programa, e se chama Marion. A partir daí ocorrem novos desdobramentos, sem que eles se separem.
O Garoto Selvagem, cartaz das 18h30, se passa em 1797, quando um menino selvagem é capturado numa floresta. Levado a um centro de surdos-mudos, torna-se objeto de todo tipo de curiosidade. Adotado por um cientista que acredita ser possível transformá-lo num homem normal, o menino revela-se sensível e inteligente, embora não fale.
Domicílio Conjugal, às 20h30, é o segundo filme da mostra com Antoine Doinel. Aqui o herói está casado; enquanto a mulher dá aulas de violão ele tinge cravos brancos de vermelhos. Deixa a atividade para ser manobreiro de petroleiros de pequeno porte. Nasce um filho, uma japonesa aparece em sua vida e assim vai a vida.





