DivulgaçãoO grupo é formado por Fernando Gama, Lourenço
Baeta, Zé Renato e Maurício Maestro‘‘Somos quatro
pessoas que
têm a mesma
importância
dentro do trabalho’’Os cabelos brancos nas têmporas e pequenas rugas no rosto denunciam que o visual já não é o mesmo de há 20 anos. O trabalho, porém, continua com o frescor de duas décadas atrás. Para comemorar o sucesso obtido em todo esse tempo, o grupo vocal Boca Livre está lançando um CD cheio de convidados ilustres. Milton Nascimento, Chico Buarque, Gal Costa, Djavan e Zé Ramalho são alguns dos artistas que participam de ‘‘20 anos - Boca Livre convida’’, que registra as canções mais famosas do grupo. De 7 a 17 de janeiro, o grupo se apresentará, ao lado de dois ex-integrantes do quarteto, David Tygel e Claudio Nucci, no Teatro Rival, no Rio. Na semana seguinte, eles estarão no Palace, em São Paulo.
Foi um trabalho complicado: artistas com agendas cheias e
horários apertados. No final das contas, acabou dando tudo certo. Cada convidado foi chamado para cantar a música que lhe parecia mais adequada. Assim, couberam a Milton Nascimento os versos de Toada (na direção do dia); para Chico Buarque ficou reservada Feito Mistério; e Djavan fez o solo de Mistérios. ‘‘Todas as escolhas têm a ver com a sonoridade da pessoa, com o que ela representa e a sua maneira de interpretar uma canção’’, explicou Maurício Maestro, responsável pelos arranjos.
Erasmo Carlos, por exemplo, dá um leve ar safado à música
Neném. ‘‘É o tremendão cantando a música do taradão’’, brincou Lourenço Baeta. Já Zé Ramalho é definido pelo quarteto como um perfeito ‘‘profeta do apocalipse’’ em Gotham City. Em Folia, Beto Guedes doa um pouco do seu jeito ‘‘bicho grilo’’, com direito a uma inserção de um trecho de Lumiar.
Para a música Quem tem a viola foram convidados três bons
violonistas: Roberto Frejat, do Barão Vermelho; o ex-Mutante Sérgio Dias e Ricardo Silveira. ‘‘A idéia era ressaltar o som das violas’’, explicou Maurício Maestro. Única mulher a participar do disco, Gal Costa dá um toque limpo à gravação à capela de Ponta e Areia. O disco conta ainda com a participação de Paulinho Moska, em Diana e dos ‘‘ex-bocas’’ David Tygel e Claudio Nucci em Bicicleta.
O Boca Livre começou, em 1978, participando do disco
Camaleão, de Edu Lobo e depois excursionou com o compositor através do projeto Pixinguinha. No ano seguinte, o primeiro disco, de selo independente e que recebeu o nome do grupo, foi uma explosão: 100 mil cópias. Bicicleta, o segundo trabalho, vendeu 40 mil cópias.
Inicialmente o quarteto era composto por Claudio Nucci, Zé
Renato, David Tygel e Maurício Maestro. Lourenço Baeta entrou para o grupo em 1980, no lugar de Nucci e, há seis anos, Fernando Gama substituiu Tygel. A fórmula para conseguir manter o trabalho parece ser simples: ‘‘Não existe disputa de poder entre nós’’, garantiu Lourenço Baeta. ‘‘Somos quatro pessoas que têm a mesma importância dentro do trabalho e cada um com um peso específico’’ completou Fernando Gama.
Filosofia Além disso, o Boca Livre possui uma filosofia: cada um tem a liberdade de criar trabalhos em outras direções. ‘‘O grupo não tem condições para absorver todos os desejos de cada um’’, diz Maurício Maestro.
Além de recriar para quatro vozes músicas já conhecidas do
público, o Boca Livre também ficou conhecido por causa de suas próprias composições. ‘‘Ter um trabalho de composição sempre foi algo claro e marcado’’, diz Zé Renato. Tanto assim, que uma música inédita, Último Sinal, de sua autoria e de Lourenço Baeta, foi também incluída neste novo CD.
Para Zé Renato, o quarteto pode se gabar de não ter se
submetido às pressões do mercado. ‘‘Nunca deixamos de usar a intuição e a espontaneidade’’, garante. Ele ainda revela o pulo do gato: ‘‘O mais importante é que, depois de ultrapassar as dificuldades comuns neste tipo de carreira, conseguimos manter o espírito de diversão’’. Uma prova de que amadurecer não é sinônimo de envelhecer.

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