Elizabeth Savala em A.M.A.D.A.S.: texto mostra o quanto é ridículo o esforço para esconder a idade
Elizabeth Savala em A.M.A.D.A.S.: texto mostra o quanto é ridículo o esforço para esconder a idade



Regina Antônia é uma mulher que chega à meia idade pressionada pelas cobranças de uma sociedade cada vez mais fútil e superficial. Em A.M.A.D.A.S – Associação de Mulheres que Acordam Despencadas, a atriz Elizabeth Savala realiza uma sátira sobre o comportamento das mulheres diante dos padrões de beleza cada vez mais rígidos e angustiantes. "A Regina Antônia é mais uma mulher que um dia acordou despencada. O fenômeno do despencamento atinge a todas nós. Um dia você se olha no espelho e descobre que tudo caiu. Comigo aconteceu no meu aniversário de cinquenta e um anos. No dia anterior eu acordei e li meu jornal como sempre. No dia seguinte eu já não conseguia ler sem óculos. A peça fala sobre tudo que nos acontece com a chegada da meia idade." O evento tem apoio do Grupo Folha de Comunicação.

Depois do sucesso da personagem Cunegundes na novela "Êta mundo bom!", uma matriarca da família caipira e falida, Savala agora, sozinha no palco, tem o desafio de dar vida a várias mulheres. Na peça, Regina Antônia está completando 48 anos de vida e no dia anterior ao seu aniversário ela encontra uma amiga da época da adolescência. "Exatamente aquela amiga que era a gostosona da turma, aquela que ficava com todos os gatinhos que todas queriam ficar. Aquela amiga que era três anos mais velha mas que aparentava cinco anos mais nova e que agora, vinte anos depois, à custa de muito botox, silicone e academias de ginástica, parece ser de uma geração posterior à da protagonista. O embate entre as duas é muito rico e prazeroso para mim como atriz", diz.

Imagem ilustrativa da imagem A.M.A.D.A.S por si mesmas
| Foto: Divulgação



Com texto de Regiana Antonini e direção de Luiz Arthur Nunes, o espetáculo, portanto, é um convite a um debate com base nas angústias geradas pela impossibilidade de conservar o visual e o comportamento típico da juventude a essa altura da vida. "Não é uma questão de haver um culpado para as obsessões estéticas, mas a sociedade cobra isso de todos nós. A peça coloca em xeque essa 'ditadura da beleza'. Essa obrigação de se estar sempre jovem, sarada e bonita. O texto mostra, através do humor, o quanto é ridículo esse esforço para se esconder a idade quando ela chega." Assim, o espetáculo coloca o dedo na ferida de mulheres a caminho da maturidade de forma inteligente e bem humorada. "É um espetáculo para quem deseja rir do início ao fim, durante uma hora e meia."

Para a atriz, interpretar a personagem Regina Antônia é divertido: "O fenômeno do despencamento atinge a todas nós"
Para a atriz, interpretar a personagem Regina Antônia é divertido: "O fenômeno do despencamento atinge a todas nós"



Projetos
Em turnê com o espetáculo em todo Brasil há quatro anos, a atriz se prepara para voltar às telinhas com "Pega Pega", novela das 19h da Rede Globo que estreou essa semana, escrita por Claudia Souto. Já no ritmo frenético de gravações, seu personagem deve aparecer na trama em meados de agosto. "Eu tenho feito uma novela a cada dois anos. Entre uma novela e outra eu intercalo meus espetáculos de teatro. Nos últimos dez anos eu tenho me dedicado ao projeto Teatro de Graça na Praça, onde apresento espetáculos ao ar livre, em praças públicas, em cidades do interior de São Paulo. É muito estimulante para um ator apresentar um espetáculo para milhares de pessoas na rua. Ainda mais quando se sabe que a maioria dessas pessoas nunca foi a um teatro", observa a atriz.

Carreira
Aos 62 anos de idade e 41 anos de carreira, a atriz acumula muitas histórias, mais de 30 novelas, nove peças de teatro e dois filmes. Nessas quatro décadas, Elizabeth vivenciou diversos personagens entre mulheres fortes, dramáticas, fúteis, quase sempre cômicas. Paulistana do Butantã, estreou na TV aos 19 anos interpretando a Malvina da novela Gabriela. Depois vieram outros papéis tão importantes quanto como a desbocada Lili de O Astro e a sofrida Carina Limeira Brandão de Pai Herói, ambas escritas por Janete Clair. Em 2001, interpretou em 2001 a fogosa e glutona beata Imaculada de Avelar, de A Padroeira, e, em 2003 interpretou a vilã cômica Jezebel, em Chocolate com Pimenta. Elizabeth Savala também é uma figura carimbada nos palcos onde está em cartaz continuadamente desde 1988 com os espetáculos Lua Nua, Ações Ordinárias, Mimi, É!.., Friziléia.

Serviço:
A.M.A.D.A.S
Onde: Teatro Mãe de Deus (Rio de Janeiro, 670)
Quando: 10 de junho, às 21h, e 11 de junho, às 19h
Quanto: R$ 120 (inteira) e R$ 60 (meia)
Pontos de Venda: Pátio San Miguel (Av. Higienópolis, 762) e lojas Ótica Diniz

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