Os alunos do 3º ano/ensino médio (15-17 anos) matutino do Colégio Estadual Marcelino Champagnat e do Colégio Estadual Antonio de Moraes Barros, durante atividades realizadas na oficina ''Violência do Cotidiano e Bioética'', apresentaram propostas para combater a violência em suas diferentes formas. Foi de consenso geral que a violência se encontra intimamente relacionada à desigualdade social, corrupção e preconceito. Em seus cotidianos a violência se encontra diariamente expressa através de ações como: roubo, abuso sexual infantil, assassinato, homofobia, violência contra a mulher, discriminação, maus tratos contra os animais, além da violência psicológica gerada pelo excesso de consumo distinguindo a mídia como principal indutor. Os estudantes apontaram a conscientização individual e coletiva, bem como a prática do exercício do respeito ao próximo como as principais ações para o combate a violência. Diante das constantes notícias a respeito de abuso sexual infanto/juvenil, os estudantes colocaram a necessidade de informar as crianças a partir dos seus primeiros anos de colégio sobre o que é sexualidade, como distinguir um ato de violência sexual e como proceder para denunciar os agressores protegendo o anonimato da vítima. O ato de homofobia mais apontado dentro do ambiente escolar foi à agressão verbal devido à incompreensão diante do ''diferente'', o que remeteu a necessidade de discutir e esclarecer melhor sobre a realidade das várias formas de relacionamento humano.
A violência contra a mulher foi eleita a ação agressiva mais comum dentro do cotidiano urbano, o que reflete um quadro histórico que ainda não foi superado pelo processo de civilização. Nesta questão a proposta aponta a urgência do resgate da dignidade da mulher e do seu real papel na construção da sociedade. Outro tema bem discutido foi o preconceito e a discriminação racial. As possíveis soluções para este caso de violência permearam o esclarecimento sobre o que é igualdade social e direito do cidadão, além do resgate histórico da contribuição do negro para o desenvolvimento do Brasil. Ainda sobre o preconceito racial é preciso esclarecer o que realmente o conceito de ''raça'' significa dentro da evolução do homem.
A esmagadora violência da cultura do consumo, comandada por uma mídia desenfreada e antiética foi diretamente relacionada à necessidade de auto-afirmação social, o que se torna um gerador de violências como roubos e assassinatos envolvendo os chamados ''jovens infratores''. Para os estudantes, a necessidade do ''ter'' em detrimento do ''ser'' leva a uma angústia que ''empurra'' o adolescente a consumir ou traficar drogas para amenizar suas frustrações. Portanto, através deste projeto de educação não formal utilizando a bioética como ferramenta reflexiva, foi possível concluir que o estudante londrinense tem plena consciência das suas necessidades e direitos enquanto cidadãos brasileiros. O reflexo desta verdade pode ser encontrado nas seguintes palavras: ''Nós acreditamos que a sustentabilidade moral de uma sociedade se constrói na base familiar e no ambiente escolar. Claro que não podemos esquecer a necessidade de oportunidades como acesso ao esporte, cultura e emprego. Portanto, as nossas propostas políticas são: a criação de cursos profissionalizantes, o investimento educacional e a justiça com equidade, tornando a educação a melhor ferramenta na busca um mundo melhor com qualidade de vida ao alcance de todos.''
- Texto produzidos pelos alunos do 3º ano matutino do Colégio Estadual Marcelino Champagnat e Colégio Estadual Antonio de Moraes Barros, revisado pelos voluntários do projeto Heloísa Poli e Daniele Bosso (4º ano de Biologia/Unifil), Ilara G. F. Budzinski (bióloga), Karina de Oliveira (bióloga), Tiago B. dos Santos (biólogo) e Cherrimar Martinhão Ferreira (bióloga), com a supervisão da coordenadora da oficina Dra. Luciana Grange.

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