Alternativos de carteirinha
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terça-feira, 25 de junho de 2002
Nelson Sato<BR>Reportagem Local 
Os alternativos velhos de guerra estão a postos de novo. As bandas norte-americanas Sonic Youth e Weezer, que influenciaram porões ruidosos do mundo inteiro ao longo dos anos 90, já têm seus novos discos lançados no Brasil.
Sonic volta ao mercado com Murray Street (Universal), seu 16º álbum e cujo título foi emprestado da rua onde fica o estúdio da banda em Nova York. Weezer retorna com Maladroit (Universal), o quarto trabalho de sua carreira. Ambos legitimam a reputação indie, ainda que já não surpreendam o ouvinte.
Sonic traz uma coleção de sete faixas, algumas delas com nove e até 11 minutos de duração. De novidade, mostra a incorporação oficial do guitarrista Jim ORourke, que acompanhou o grupo durante os shows brasileiros do Free Jazz Festival de dois anos atrás. A sonoridade mantém a oscilação entre a canção e os improvisos experimentais, dualidade presente em faixas como Karen Revisited (gravada ao vivo e com inserção de aplausos no final), Radical Adults Lick Godhead Style (guitarras arranhadas que parecem scratches) e Sympathy of the Strawberry (climática, com vozes dobradas de Kim Gordon anunciando um exercício de texturas).
Em Disconnection Notice, soam pop como Blur. A maioria das composições, no entanto, não promete gratificação instantânea. Thurston Moore (guitarra), Lee Ranaldo (guitarra), Kim Gordon (baixo), Steve Shelley (bateria) e agora Jim ORourke (guitarra) continuam afligindo quem anseia por um novo Goo, o álbum de 1990 e o mais acessível de sua trajetória.
Goo, aliás, será relançado pelo selo do grupo no próximo ano completando a trilogia de reedições que inclui ainda Daydream Nation (1988) e Dirty (1992), previstos para os próximos meses. Com dez anos a menos de estrada que o Sonic, o Weezer reaparece oferecendo mudanças em seu novo CD. O som está mais pesado, com as guitarras rangendo riffs de hard rock. Com certeza, não é o melhor trabalho da banda, que ganhou o rótulo de nerd pela imprensa.
Numa comparação forçada, é bem inferior ao disco homônimo de estréia lançado em 1994. Em boa parte do repertório, Maladroit maltrata quem virou fã de carteirinha do grupo a partir da combinação entre melodias açucaradas e estridência guitarreira. O melhor do Weezer está escondido, obrigando o ouvinte a peneirar as 14 faixas. Burndt Jamb é o grande destaque, revelando um simpático arranjo para vocais e guitarras. Ecos da boa fase também se manifestam em Slob, Slave e Island in the Sun.
O CD traz ainda faixas multimídias adicionais contendo videoclipes de sete canções. Mas será que o brinde vai aplacar a frustração dos velhos fãs?


