Ana Rios está empolgada por integrar o elenco de "Malhação" pela segunda vez. Quando teve a primeira oportunidade de participar do folhetim, a atriz viveu a jovem universitária Elisa, que apareceu na história para atrapalhar o casal Bruno e Fatinha, de Rodrigo Simas e Juliana Paiva. E só não ficou até o fim por ter outro compromisso profissional. "Adorava fazer a Elisa porque a personagem era meio má. Mas estava com uma viagem marcada para apresentar minha peça em Portugal e não pude continuar. Acabou ficando um gostinho de quero mais", confessa.
Na atual temporada, a atriz interpreta a ativista Bárbara, personagem escrita por Rosane Svartman especialmente para ela. Inclusive, Ana foi convidada pela autora para participar de algumas reuniões da novela teen a fim de sugerir temas para abordar durante a trama. "Como Rosane pensou a Bárbara para mim, a gente foi construindo junto. ‘Malhação’ tem uma questão, por causa do horário, de que vários temas não são possíveis e outros apenas mostramos que existem", relata.
Por ser ativista desde os tempos de escola, Ana sempre se interessou pelos direitos humanos e gosta de dialogar com o público que assiste a "Malhação" através de sua personagem. Quando tem uma cena de Bárbara com Bianca, de Bruna Hamú, sobre o ciúme de Duca, vivido por Arthur Aguiar, a atriz considera como um alerta, mesmo que modesto, para as adolescentes. "Só com essa ideia consigo imaginar meninas, que estão começando as primeiras relações, entendendo que também precisam que se colocar", reflete.
Atualmente, os principais assuntos de Ana como ativista dizem respeito aos direitos das mulheres. A história da atriz no ativismo já teve vínculos com algumas instituições. Mas hoje ela é adepta da micropolítica, que defende a ideia de que alguém só pode mudar o mundo se mudar a si mesmo primeiro. "A gente só se move por emoção. Não nasci pobre ou negra, mas eu nasci mulher. E por morar no Rio de Janeiro, sendo mulher, sofri várias violências", desabafa.
Com orgulho do trabalho que vem fazendo na tevê, Ana ainda só não consegue entender muito bem o fanatismo em cima de "Malhação". Embora ache divertido tirar fotos com fãs quando existe um carinho pela personagem, algumas situações ainda lhe geram certa estranheza. "Às vezes, me sinto um pouco boneca. A pessoa nem me olhou direito, mas me abraça, beija, tira foto e vai embora sem falar comigo", conta.
A atriz já tentou se colocar no lugar de fã para compreender melhor a intensidade dessas situações, mas se lembra que, na adolescência, seu ídolo, Kurt Cobain, já havia falecido. "Gostava de coisas meio inalcançáveis. Adorava o Nirvana. Tinha pôster no quarto e ouvia as músicas. Essa era a minha relação com o meu ídolo", revela.
Com o sucesso de "Malhação", a emissora pretende prolongar a novela por mais tempo do que havia sido planejado. Por causa disso, o projeto de entrar em cartaz com uma peça no segundo semestre de 2015 ainda está sendo avaliado por Ana. "Por enquanto, está difícil voltar a fazer outras coisas porque não tem essa divisão de núcleo em ‘Malhação’ que existe nas outras novelas. Grava todo mundo junto sempre", diz.
Voltando toda a sua atenção para o folhetim, a atriz deu uma pausa na sua companhia de teatro e nos trabalhos da produtora cultural da qual é sócia. Antes da novela, ela conseguia administrar vários projetos ao mesmo tempo. "É uma vida em função da personagem. É bom, mas nunca tinha me dedicado a apenas um trabalho", admite.

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