Alternando escolhas
O comportamento de escolha é aprendido. Isto é o que afirma a doutora em psicologia e coordenadora do Mestrado em Análise do Comportamento da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Maria Luiza Marinho Casanova. De acordo com a psicóloga, as pessoas podem ser ensinadas a não discordar da opinião do outro como um critério de verdade sobre as coisas, na medida em que elas mesmas podem se comportar e se sentir inseguras sobre inúmeros fatos. ''Nossos gostos são gerados sob influência das pessoas que nos educaram, assim como das pessoas do contexto em que convivemos atualmente'', destacou Maria Luiza.
As pessoas escolhem ''o mais vendido'', ''mais visto'' ou ''escutado'' por pelo menos três causas: a probabilidade de que gostem é maior do que se escolherem algo que não têm idéia anterior a respeito; se muitas pessoas escolhem a mesma coisa, a pessoa pode imaginar que também vá gostar (o que necessariamente pode não ocorrer); para poder conviver com amigos que querem o mesmo. ''O grupo, em geral, valoriza aqueles que fazem as escolhas que eles fizeram porque isso ratifica a escolha feita''.
Quando algo está em voga e uma pessoa diz que não viu, não irá ver ou viu e não gostou, ela tem de lidar com a crítica. ''Nem todos se sentem confortáveis em apresentar opiniões discordantes'', destacou Maria Luiza. ''Assim, escolher o que a mídia indica ou o que os amigos escolheram garante aceitação social pelos que agem da mesma forma. Em geral as pessoas não têm consciência disso, mas este é um dos motivos de tantos fazerem as mesmas escolhas''.
A falta de produtos culturais alternativos também pode limitar as pessoas: ''Se não existe a oferta de filmes fora do eixo hollywoodiano, as pessoas não têm alternativa de escolha e não têm a oportunidade de aprender a gostar do diferente''.
Para ela, o ideal seria o ser humano sempre alternar as escolhas que faz, para poder vivenciar novas experiências e expandir o universo que habita. ''As pessoas devem ter uma maior variabilidade comportamental, ou seja, variar mais, escolher o diferente de vez em quando. Mesmo que no início ela não se sinta à vontade em fazer estas escolhas'', disse Maria Luiza. ''Além disso, o máximo que pode acontecer é descobrir que ela realmente não se inclui numa determinada categoria ou gosto''.





