Alter do Chão festeja o Çairé
PUBLICAÇÃO
domingo, 13 de agosto de 2000
Da Redação 
Além de Parintins, com seu festival folclórico em junho, outra cidade da Amazônia começa a mostrar as suas tradições culturais. É Santarém, no oeste do estado do Pará, com 243 mil habitantes, que sedia a Festa do Çairé, evento de caráter religioso-profano, realizado em setembro. Na verdade, a festa acontece em Alter do Chão, distrito de Santarém. O Çairé, segundo os livros de história, é um símbolo de madeira que imita os escudos usados pelos colonizadores portugueses, contendo as cruzes que simbolizavam os mistérios da Santíssima Trindade. Essa é uma prováveis razões para a criação do çairé, e uma das opiniões que apontam para a sedimentação do caráter religioso.
A religiosidade da festa é devidamente passada de pai para filho. As tradições se mantêm por mais de 300 anos. Tanto que o culto religioso é comandado pelos membros da comunidade, que, durante as procissões entoam cantigas que, segundo eles, seriam em latim.
Outro aspecto que desperta o interesse é o folclore. A juventude da vila de Alter do Chão resolveu que entre as apresentações de danças típicas da região uma em especial deveria ser melhor preparada para ganhar peso comercial. Foi quando a lenda do boto entrou em cena.
Segundo a lenda amazônica, o boto (um peixe de pouquíssimo valor comercial), ao anoitecer, se transforma num homem bonito e sai a procurar mulheres solteiras com o objetivo de seduzi-las às margens dos rios. Como é um galanteador, sempre se dá bem nas abordagens. Dentro desse roteiro, acontece a evolução das apresentações dos botos Tucuxi e Cor de Rosa, nas noites dedicadas ao folclore.
Na Praça do Çairé, construída em 1997 com o objetivo de servir de palco para as manifestações folclóricas, as torcidas já começam a rivalizar, fazendo com que o clima de disputa contagie os assistentes. Um dos pontos fortes da festa é o fato da mesma ser realizado na vila balneária de Alter do Chão, que tem apenas 2.200 habitantes.
Citada como roteiro imperdível do Brasil por revistas especializada , a vila balneária de Alter do Chão (com apenas 2.200 habitantes) tem crescido nos últimos anos, principalmente com a passagem de transatlânticos internacionais. Alter do Chão passou a ser parada obrigatória desses navios, cuja rota inclui ainda Santarém, Belém e Manaus.


