Crescer na televisão fez bem a Caio Blat. Na frente das câmaras desde os 11 anos de idade - quando participou da série infantil ''Mundo da Lua'', da Cultura -, o ator acredita que começar cedo o deixou mais disciplinado e distante de qualquer sinal de estrelismo. ''Eu me divertia trabalhando! Passei por muitos testes, alguns momentos de altos e baixos, isso foi importante para eu ganhar uma certa 'bagagem' dentro da minha profissão'', analisa o intérprete do invejoso Fernando de ''Lado a Lado'', da Globo.
Aos 32 anos, o paulistano Caio é um dos principais atores de sua geração. Com uma carreira extensa na tevê e no cinema, ele agora se prepara para filmar seu primeiro longa como diretor. ''Acho que estou pronto. Depois de aprender com tanta gente, chega um momento onde você quer fazer algo com a sua cara'', explica. No entanto, só começa a produção do filme quando as gravações da atual novela das seis chegarem ao fim. ''Estou adorando esse trabalho. É o resgate de um Brasil de contradições e que diz muito sobre o país que somos hoje'', avalia.

Você estava envolvido com a produção de um filme quando foi chamado para integrar o elenco de ''Lado a Lado''. O que fez você adiar seus planos e encarar a novela?
O Fernando é um personagem riquíssimo. Do ponto de vista histórico, ele é filho de um senador, pertence à aristocracia do início do século passado e está envolvido com a questão da chegada do futebol no Brasil. O pano de fundo é muito bacana! Mas ele vai além. O fato do senador não ser um político dos mais honestos e ainda envolver o Fernando em suas falcatruas é incrível. É bacana mostrar em uma trama de época, algo que está no noticiário atual.
Você acha que política é uma tema que deveria ser mais abordado em novelas?
Com certeza! E por ''Lado a Lado'' ser o retrato do Brasil no início do século XX, é interessante ver que a corrupção veio do Império e está totalmente integrada aos políticos da República. A novela mostra que desde aquela época as licitações já eram fraudadas, certas empresas já eram favorecidas pelo governo, a existência de ''Caixa 2'', e até de construtoras que superfaturavam as obras. É um folhetim de época, com assuntos muito pertinentes e atuais. Mas a novela não trata apenas desses pontos contras. Tem o futebol também, que é uma das maiores paixões do brasileiro.
Você já dirigiu espetáculos teatrais e agora se prepara para comandar seu primeiro longa-metragem. O que o levou a investir na carreira de diretor também?
Acho que é a evolução de uma trajetória. Como ator, trabalhei com tantos diretores diferentes, aprendi tanta coisa, que chegou a hora que me deu vontade de estar por trás das câmaras. Assim como fizeram alguns amigos da minha geração, como Selton Mello e o Mateus Nachtergaele. No momento, além da novela, eu só penso no meu filme. Comprei os direitos de um romance do escritor Cristovão Tezza e me sinto empolgado com a história. Ainda estou preparando o roteiro, mas já tenho a Cássia Kiss como protagonista.
A grande maioria dos filmes nacionais depende do apoio da Globo Filmes para chegar aos Cinemas. Como você lidou com a divulgação de um vídeo seu no YouTube, filmado em uma palestra na cidade de Suzano, interior de São Paulo, onde você faz críticas ao modo com que a Globo Filmes se associa aos produtores dos longas?
Foi uma situação infeliz. Como funcionário da Rede Globo e pelos anos de parceira com a Globo Filmes, eu deveria mesmo pedir desculpas e foi o que fiz. Procurei as pessoas certas e acho que ficou tudo resolvido. É um assunto superado. Tenho uma história muito forte com a Globo Filmes, e vários projetos futuros. Agora no fim do ano, já estou envolvido com o lançamento de ''A Noiva ou a Mula'', uma comédia rural, baseada na obra de Guimarães Rosa, e dirigida pelo Luiz Henrique Rios, que também é diretor da Globo.

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