O poeta mineiro Alphonsus de Guimaraens, nascido há 130 anos, em Ouro Preto (MG), é lembrado hoje e amanhã, com uma livre leitura da trajetória de vida e da obra deste que foi um dos principais poetas simbolistas da virada do século. O espetáculo ocorre no Teatro da Faculdade Espírita do Paraná, sempre às 21 horas.
Alphonsus nasceu em 1870, em Ouro Preto, e passou toda a vida no interior de Minas Gerais. Marcado muito cedo, aos 17 anos, pela morte de sua amada noiva Constança, Alphonsus se fez poeta, alinhou-se ao simbolismo e passou a vida cantando a morte.
Constança acaba se misturando, na sua obra, à imagem da Virgem Maria, da noiva prometida, da lua, e da trajetória da sua própria morte. Em sua torre de poeta solitário, seguia urdindo aquela poesia densa, escura, profundamente mística, e irremediavelmente comprometida com a morte.
O poeta mineiro teve uma vida trivial, casou-se, teve 15 filhos, foi jornalista, advogado e juiz. Apesar de geograficamente isolado da vida cultural de seu tempo, vivendo em Mariana, manteve um vivo diálogo poético com seus contemporâneos, como o catarinense Cruz e Souza.
O espetáculo sobre o poeta da lua, está fundamentado em quatro meses de pesquisas. ‘‘Tudo começou quando Iso Fischer musicou o poema Ismália. Me apaixonei pelo poema e começamos a pesquisar o trabalho de Alphonsus de Guimaraens’’, conta a roteirista Etel Frota.
O poema Ismália foi encontrado entre os cadernos de ginásio de Iso Fischer. ‘‘Entramos em contato com a família de Alphonsus, filhos e netos, no Rio de Janeiro, e eles nos ajudaram muito com publicações antigas, quando nos enviaram preciosidades como propagandas em trovas, charadas rimadas e metrificadas. Essas charadas acabaram virando moda caipira com arranjos do Iso Fischer’’, adiantou.
Na véspera de sua morte, em 14 de julho de 1921, Alphonsus escrevia: ‘‘Na tristeza do céu, na tristeza do mar/ eu via a lua a cintilar/ Como seguia tranquilamente/ Por entre nuvens divinas!/ Seguia tranquilamente/ Como se fora minh’alma,/ Silente,/ Calma,/ Cheia de ais...’’ No dia seguinte morreu do coração.
• Espetáculo de poesias musicadas ‘‘Alphonsus de Guimaraens, poeta da lua’’, com Etel Frota, Iso Fischer, Ana Clara Fischer e Oswaldo Rios, hoje e amanhã, às 21 horas, no Teatro da Federação Espírita do Paraná, à Alameda Cabral, 300. Mais informações pelo fone (41) 223-6174.

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