Quando foi que Eddie Murphy se perdeu? Quando o jovem e talentoso ‘‘stand-up comedian’’, que arrancava gargalhadas no programa ‘‘Saturday Night Live’’ nos anos 70 e 80 e era a grande esperança de sucessão a Richard Pryor, tomou o mau caminho? Talvez o problema seja o filão que Murphy descobriu, das refilmagens que viram franquias. Foi assim com ‘‘Dr. Dolittle’’ (1998), que ganha sequência no ano que vem. É assim com ‘‘O Professor Aloprado’’ (1996), cuja continuação, ‘‘O Professor Aloprado 2 - A Família Klump’’, estréia hoje no Brasil (ver programação de cinema na página 5).
O filme é dirigido pelo insignificante Peter Segal - ou seja, foi conduzido de verdade pelo próprio Murphy - e fez bonito nas bilheterias dos Estados Unidos: US$ 42 milhões no fim-de-semana de abertura, US$ 110 milhões até agora. Mas não se iluda. Milhões de norte-americanos podem, sim, estar errados (já ouviu falar em Ronald Reagan?).
No fraco ‘‘A Família Klump’’, acontece tudo de novo. O bobalhão professor Sherman está prestes a propor casamento para a boazinha professora Denise (Janet Jackson), mas o galã Buddy Love, que vive dentro dele, volta a dar as caras. Blablablá e nada de diferente.
Esse é o pretexto para que Eddie Murphy interprete oito personagens ao mesmo tempo, todos com ajuda digital, todos com cara de Eddie Murphy interpretando. Só se salva a Grandma Klump, que faz lembrar o brilho que teve um dia o ator de ‘‘Trocando as Bolas’’ e ‘‘Os Donos da Noite’’.
E uma cena tão escatológica quanto engraçada envolvendo um porquinho-da-índia gigante, um reitor ganancioso (o ótimo Larry Miller) e o amor bonito que cresce entre os dois.
Detalhe: repare como está esquisita a atriz/cantora Janet Jackson. O silicone que enfiou nas bochechas a deixa cada vez mais com cara de travesti. E, diferentemente de Murphy, que usou efeitos especiais, a irmãzinha de Michael Jackson estufou sozinha.
O pior é que o filme de Jerry Lewis, de 1963, no qual o primeiro episódio foi baseado e que esta versão lembra muito (mas muito mesmo) remotamente, é um clássico irrefutável, tanto quanto a obra que o inspirou, ‘‘O Médico e o Monstro’’, de Stevenson.
O grande Lewis, parceiro de Dean Martin no começo da carreira, só não se contorce no caixão porque ainda está vivo, embora tenha vendido a alma para Las Vegas, onde acertou recentemente um contrato para apresentar um show semanal até o dia em que morrer.
Faça uma homenagem a ele, o palhaço genial que viveu mais que a obra e perdeu o bom humor depois de velho, e se dê um presente: alugue o filme original.

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