Simone Mattos
De Curitiba
O espetáculo ‘‘Tudo por um fio’’, de Maria Clara Machado, será apresentado na Mostra Paralela do Festival de Teatro de Curitiba. Com elenco curitibano, peça conta a história do inventor do telefone
Leve e instrutivo, lúdico e inteligente. Assim é o espetáculo ‘‘Tudo por um Fio’’ que conquistou o público infantil, pais e críticos de teatro do Rio de Janeiro e que está agora sendo montado em Curitiba. Com texto de uma das mais conceituadas autoras do teatro infantil brasileiro, Maria Clara Machado, e concepção de sua sobrinha Cacá Mourthé, ganhadora do Prêmio Coca-Cola de melhor direção e Prêmio Mambembe na mesma categoria, a peça conta a história de Alexandre Graham Bell, o inventor do telefone.
Ensinar história de forma divertida e didática é o grande triunfo desse espetáculo, que está em cartaz no Rio de Janeiro há seis anos. A estréia da montagem curitibana, que contará com grandes nomes do teatro paranaense, está marcada para o dia 17 de março, dentro da programação do Fringe/Mostra Paralela que faz parte da oitava edição do Festival de Teatro de Curitiba.
O espetáculo tem cerca de uma hora de duração, um ato, sete quadros e quatro personagens. Orelhão, Linha Cruzada, Ocupado e Fora do Gancho serão interpretados em Curitiba por Maurício Vogue, Betina Belli, James Pierre e pela carioca Clara Serejo, que teve a iniciativa de trazer a montagem para Curitiba. Além de atuar, ela produz o espetáculo.
Para encantar as crianças, os atores atuam como ‘‘clowns’’. Os figurinos – assinados por Ricardo Garanhani – são extremamente ricos e coloridos, os adereços são vastos e a música preenche todo o espetáculo, ilustrando a história.
Desde a semana passada, o grupo está tendo aulas de técnica corporal com Mauro Zanatta e Pita Belli, da Escola do Ator Cômico, em Curitiba. Pita também é responsável pela direção do espetáculo. O compositor e arranjador carioca Ricardo Gilly também está em Curitiba, para iniciar a preparação vocal do grupo e o trabalho de gravação em estúdio.
Todo esse esforço tem como objetivo levar o público infantil para o ano de 1876, nos Estados Unidos, onde o foco das atenções era a recente descoberta do escocês Alexandre Graham Bell. No palco, uma das principais cenas é a chegada do imperador do Brasil, Dom Pedro II, na Exposição Internacional Comemorativa ao Centenário da Independência Americana, na Filadélfia, onde o invento estava sendo apresentado.
O interesse do imperador foi tanto que, no ano seguinte, o primeiro telefone estava sendo instalado no Brasil, dentro do Palácio de São Cristovão, na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro.
A produtora e atriz explica que o espetáculo atinge o público infantil de todas as idades. ‘‘Os menores se envolvem com o mundo dos palhaços e os maiores acompanham o texto, que é didático e histórico’’.
Na opinião de Clara, Curitiba é um local especial para as artes cênicas. ‘‘Aqui o teatro não é massificado’’, declara. Morando há mais de dois anos na cidade, ela compara Curitiba com o Rio para afirmar que aqui há mais espaço, mais liberdade e mais possibilidades de pesquisa. ‘‘Aqui os profissionais são mais descompromissados, pois não há a pressão da televisão’’, diz.
Entre os seus preferidos estão os diretores Marcelo Marchioro, Felipe Hirsh e Sílvia Monteiro. ‘‘Curitiba é uma cidade democrática, onde há mais possibilidades das coisas acontecerem’’, afirma. Segundo ela, o mercado curitibano só tende a crescer.
O espetáculo ‘‘Tudo por um Fio’’, que será encenado em Curitiba, tem apoio da empresa Siemens, através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura.

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