Arquivo FolhaChacrinha: programa garantia um Ibope de 60 pontos, aos sábados, na Globo, marca difícil de ser alcançadaNo seu programa, Elis Regina e Geraldo Vandré cantavam boleros; Gilberto Gil, samba; Gal Costa, ainda chamada de Maria da Graça, interpretava samba-canção; Cláudia ganhou troféu graças a uma música italiana e João Gilberto se apresentou como o ‘‘cantor mascarado’’. E foi graças a ele, Abelardo Barbosa, o Chacrinha, que Roberto Carlos gravou seu primeiro disco. Sua irreverência marcou época na tevê. Era o programa de calouros ‘‘A Buzina do Chacrinha’’, aos sábados, e a ‘‘Discoteca’’, aos domingos. A partir de 82, a Discoteca virou Cassino - exatamente como no rádio, no começo da carreira do apresentador - mas a irreverência sempre foi a mesma.
Chacrinha nasceu há exatamente 80 anos, no dia 21 de setembro de 1917. Depois de quase 20 anos de sucesso na tevê, seu coração de Chacrinha parou de bater, no dia 30 de junho de 1988. Terminava, assim, um programa que garantia um Ibope de 60 pontos, aos sábados, na Globo, marca difícil de ser alcançada. Chacrinha levou para a tevê a mesma fórmula que fez sucesso no rádio. Alguns anos antes de morrer de câncer no pulmão, ainda tentou treinar dois sucessores - João Kleber e Paulo Silvino - sem sucesso. Depois da morte do Velho Guerreiro, Miéle, Gugu Liberato e Faustão tentaram repetir a fórmula em seus programas de auditório, mas era difícil imitar o estilo do velho debochado que dava abacaxi e bacalhau ao auditório.
Doido Numa de suas últimas entrevistas, ele contou a origem do apelido. O cineasta Souza Barros convidou o animador para comandar um programa pré-carnavalesco em sua emissora de rádio, que ficava numa chácara perto de Niterói. E aí ele foi apresentar o programa ‘‘Rei Momo na Chacrinha’’. Depois do carnaval, o programa no rádio continuou, mas o nome foi mudado para ‘‘Cassino do Chacrinha’’, em homenagem aos cassinos que estavam em moda na década de 40.
Eram tempos difíceis, Chacrinha tinha de atravessar a baía de barca todos os dias e ainda viajava de ônibus para completar o percurso. ‘‘Meu programa pegou porque fazia tudo diferente do que havia em rádio’’, lembrava o animador. ‘‘Passei a ser chamado de louco e todo mundo do meio espalhava que havia um doido fazendo loucuras na Rádio Clube de Niterói’’.
Por falta de dinheiro, interrompeu os estudos na Faculdade de Medicina. Mas acertou em cheio ao trocar os estudos pelos estúdios, como se veria mais tarde. Quando, em 1960, ganhou um auditório na televisão, passou a cuidar melhor - ou pior? - de suas fantasias e só ouviu uma exigência da Globo: poderia fazer o que quisesse, desde que respeitasse o visual da casa. E o que ele mais curtia no programa era o visual da emissora. De lá, foi para a Tupi, Record, Bandeirantes. E voltou à Globo.
Chacretes As chacretes eram uma atração à parte. ‘‘Elas são mulheres com o tipo físico que agrada aos homens brasileiros, que casam com as magras mas preferem as peitudas, as bundudas e as coxudas’’, comentou, certa vez. Elas foram inventadas pelo diretor Carlos Manga, que, quando trabalhava na Excelsior, tinha algumas ‘‘Terezinhas’’ escaladas para abrir e fechar o programa. Na Globo, ‘‘Terezinha’’ virou um grito de guerra, mas as moças acabaram sendo mais conhecidas por chacretes.

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