Pedro Almodóvar: ‘‘Sexo é um dos grandes presentes que a natureza nos deu e isso já é um bom motivo para celebração.’’Pedro Almodóvar está de volta com um de seus filmes mais dramáticos, ‘‘Carne Trêmula’’, que encerrou ontem a 35ª edição do New York Film Festival. Baseado no romance de Ruth Rendell, a produção mostra a trajetória de um rapaz que tem sua vida transformada depois de conhecer uma garota usuária de crack. Neste seu filme, o diretor traz um novo elenco, que tem como destaque a italiana Francesca Neri (como Elena) e o espanhol Liberto Rabal, uma espécie de cover de Antonio Banderas (no papel de Vitor).
Sem usar o humor de filmes como ‘‘Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos’’ e ‘‘Kika’’, o diretor mostra os inter-relacionamentos de dois casais abalados pela volta de Victor. Ele passa seis anos na cadeia depois de acertar um tiro por acidente em um dos policiais que vêm separar uma discussão que ele está tendo com Elena, a garota por quem está interessado. O policial fica paraplégico e acaba se casando com Elena, enquanto o companheiro de trabalho dele vive uma crise de relacionamento com sua mulher, que sofre de mal de Alzenheimer. Está armado o cenário para a trama que vai envolver traições, desconfianças e mortes.
O filme começa em 1970, com referências à opressão da ditadura de Francisco Franco na Espanha. ‘‘Minha vontade era mostrar o quanto o país mudou depois daquela época em que era impossível sair nas ruas à noite’’, disse Almodóvar em entrevista logo após a exibição do filme para a imprensa, em Nova York. ‘‘E também fazer uma alusão de que Victor é um pessoa marcada por muita má sorte.’’ De fato, o personagem leva uma vida sombria e complicada, parecendo atrair cada vez mais problemas.
‘‘Carne Trêmula’’ é o único filme além de ‘‘Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos’’ que não foi baseado em uma história original de Almodóvar. Mas pouca coisa foi mantida do romance de Ruth Rendell. ‘‘Mantive apenas o clima da história’’, conta o diretor.’’
Outra referência que Almodóvar resolveu incluir foi uma homenagem a Bu¤uel, com uma cena que usa um trecho do filme ‘‘Criminal Life of Archibaldo de la Cruz’’. ‘‘Bu¤uel é sempre uma grande inspiração’’, diz.
O diretor falou também sobre a abordagem do sexo no filme. ‘‘Sexo é um dos grandes presentes que a natureza nos deu e isso já é um bom motivo para celebração. Acho impressionante que nos Estados Unidos, por exemplo, onde as pessoas são tão curiosas a respeito de detalhes da vida sexual dos outros, ainda é motivo de choque você mostrar duas pessoas transando.’’

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