Os almanaques de farmácia marcaram mais de um século de história no Brasil e, para mostrar o registro dessa época, o Sesc traz a Londrina a exposição "Tempo de Almanaque".
Estes pequenos livretos foram criados quando o País não tinha mais do que 17 milhões de habitantes e a expectativa de vida do brasileiro não ultrapassava os 34 anos. O primeiro deles foi "O Pharol da Medicina". A obra, patrocinada pela Drogaria do Rio de Janeiro, circulou de 1887 a 1940 e fez escola para seus sucessores.
A tiragem dos primeiros almanaques era de 100 mil exemplares ao ano, mas foi com o "Almanaque do Biotônico", que trazia o personagem Jeca Tatu, de Monteiro Lobato, que se chegou à marca de três milhões e meio de impressos entre as décadas de 1930 e 1970.
Todo o material que compõe a exposição é resultado da coleção da professora cuiabana Yasmin Nadaf, que é doutora em Literaturas de Língua Portuguesa e pós-doutoranda em Literatura Comparada. Desde pequena, ela coleciona gibis, periódicos, livros e almanaques diversos. Depois de Londrina, a exposição seguirá para Paranaguá, onde ficará de 3 de fevereiro da 3 de março de 2015.

Cartilhas
Os almanaques de farmácia já ocuparam lugar de destaque nos lares brasileiros. Tanto é verdade que alguns exemplares vinham acompanhados por barbantes, para serem pendurados em paredes ou portas, ao alcance da família.
Estas publicações cumpriram, durante décadas, a função de informar e entreter. "Os almanaques faziam, por vezes, o papel de cartilha, auxiliando adultos e crianças na alfabetização e no aprendizado da leitura, ou atuavam como agentes de civilização e progresso, divulgando novos hábitos de higiene e colaborando com a prevenção de doenças e o saneamento urbano. Informações úteis eram reunidas ainda a jogos, textos literários, calendários, propagandas, cartas de leitores e passatempos", escreve Gabriela Varanda, autora do catálogo que é entregue aos visitantes da exposição.
Yasmin também destaca que a mulher foi o principal público leitor dos almanaques e a elas e ao universo feminino foram dedicadas muitas das capas das publicações.
Estes folhetins acompanharam também as mudanças da sociedade. As conquistas femininas, o direito ao voto e o fato da mulher começar a trabalhar fora de casa são retratados nos livretos da década de 1930. Já nos anos de 1940, na era de ouro do cinema americano, as capas mostravam os corpos femininos delineados e, a partir de 1950, a mulher moderna é aquela que acumula funções dentro e fora de casa. "É a imagem da esposa bonita, bem-sucedida e dedicada", destaca Gabriela.
Os almanaques também eram recheados de informações, curiosidades ou até mesmo dicas para facilitar a vida das donas de casa, entre elas: como tirar manchas de roupas e dobrar as camisas do marido, noções de primeiros socorros e receitas culinárias.

Serviço:
Exposição "Tempo de Almanaque"
Quando – Até 4 de dezembro
Onde – Sesc Londrina (R. Fernando de Noronha, 264), em Londrina
Quanto – Gratuito
Mais informações – (43) 3305-7800

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