Depois do sucesso que foi em sua estréia mundial, na terça-feira passada, volta ao palco do Teatro Amazonas, em Manaus, nesta noite a ópera ‘‘Alma’’, de Claudio Santoro. Ela foi concluída em 1985 e seu ineditismo impediu ao autor de vê-la em cena - o maestro morreu em 1989. Embora não seja a primeira, ainda assim ‘‘Alma’’ traz a marca de ser uma das poucas obras cantadas em português.
A montagem é uma das atrações do 2º Festival de Manaus, evento musical que teve início dia 9 e se encerra dia 26 de abril. A parte artística do evento divide-se entre óperas, balés e sessões de jazz. Um único recital, com Michael Jelden (violino) e Fabiana Biasini (piano), está marcado para dia 20. Dia 22 acontece um concerto sinfônico com árias de óperas, operetas e musicais.
‘‘Alma’’ encerra a temporada na próxima terça-feira. Antes disso o público terá contato com ‘‘Tosca’’, de Puccini, e ‘‘A Viúva Alegre’’, de Franz Lehár. A ópera de Santoro começou a ser concebida pela Funarte há dois anos, durante o centenário de Carlos Gomes. Foi ali que a Fundação resolveu intervir nas óperas brasileiras e, com a organização do festival em Manaus, no início de 98, o projeto passou realmente a tomar corpo.
Márcio de Souza, diretor da Funarte, declarou que montar uma obra inédita é muito mais difícil que outra já conhecida. Isto porque não há parâmetros com que se guiar. ‘‘As únicas referências com que contamos foram a partitura e o libreto’’.
O elenco é formado por 150 artistas, entre eles 18 atores, três músicos em cena - tocando flauta, violão e contrabaixo - coro e orquestra. No palco eles dão vida para a cidade de São Paulo dos anos 20. Porém, o maior destaque é a musicalidade brasileira que soa leve por todo o espetáculo.
Não poderia faltar o chorinho numa montagem como esta, que é um dos ritmos nascidos em terras brasileiras. O naipe de cantores é formado pelo soprano Rosane Lamosa, tenor Marcos Tadeu e baixo José Carlos Leal. A coreografia foi feita pela viúva do compositor, Gisele Santoro, e a primeira bailarina é sua filha, também Gisele.
‘‘Acompanhei a composição e agora estou participando da montagem de uma obra que certamente será um marco na música brasileira, já que sua agilidade inaugura a estética do videoclipe em óperas’’, disse a viúva. Gisele, a filha, dançará acompanhada por Marcelo Misailidis. Morando atualmente na Alemanha, ela veio ao Brasil especialmente para poder participar deste espetáculo.

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