''All-Star Superman'' resgata os valores do Homem de Aço
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 04 de março de 2011
Claudio Yuge <br> Equipe da Folha 
Superman é um cara quadradão, muito coloridinho, muito bonzinho, escoteirinho. Improvável que faça frente aos anti-heróis e personagens mais ''dark'', adorados pelas últimas gerações. Só que o improvável acontece nas mãos do roteirista Grant Morrison e do desenhista Frank Quitely: ''All-Star Superman'', premiada minissérie que virou animação, em lançamento nos Estados Unidos, reestabelece o Homem de Ferro como o maior super-herói de todos os tempos.
O projeto ''All-Star'' da DC Comics, pra quem não conhece, foi uma resposta às boas vendas da Marvel Comics com o ''Universo Ultimate'': uma forma de explorar artistas visionários com a recriação de seus principais ícones, dando um ''banho de loja'' com elementos atuais.
Assim como Morrison e Quitely (que já trabalharam juntos em outras oportunidades, a exemplo do sensacional ''WE3''), foram convocados também Frank Miller e Jim Lee para rever Batman e Robin. Só que o sucesso de ''All-Star Superman'' foi tanto que ofuscou qualquer outra publicação dessa natureza na DC Comics. A mini, em 12 números, agradou público e crítica e venceu prêmios Eisner, Harvard e Eagle em várias categorias.
O plot inicial se resume ao seguinte: Superman salva uma equipe de pesquisas em curso ao Sol e, durante a fuga das rajadas nucleares, descobre um novo superpoder, uma aura bioelétrica, ativada instintivamente. Essa habilidade inédita na verdade é parte de um processo cancerígeno devido à superexposição solar, e parte de sua morte, milimetricamente planejada por Lex Luthor.
A partir daí, Superman está disposto a fazer suas últimas tarefas antes de morrer. Só que o Superman de Morrison e Quitely não é o mesmo de Jerry Siegel ou de John Byrne. Ele é excêntrico, guarda artefatos intergaláticos na Fortaleza da Solidão, uma espécie de casa/museu/laboratório, com direito até a um zoológico próprio, habitada por criaturas como um ''devorador de sóis''.
A dupla atravessa todos os melhores elementos do personagem em 12 edições: a rivalidade com Luthor, sua herança genética alienígena, o fato de ser excluído entre humanos, o romance com Lois, aventura temporal e espacial, pancadaria, Jimmy Olsen, Apocalypse, Brainiac, Solaris... Tudo de maneira criativa e muito bem ilustrada.
A animação, roteirizada por Dwayne McDuffie, consegue condensar as 12 edições de uma forma mais dinâmica, sem perder os principais momentos e mantendo o design de Quitely na construção dos personagens. Apesar da ''ausência'' de Jimmy Olsen - que tem grande importância nos quadrinhos -, está tudo ali, os ''Doze Trabalhos do Superman''.
Ao final da animação, Superman mostra a razão de ser o exemplo máximo de heroísmo e a referência do que é ser um super-herói nos anos que virão. E Morrison cumpre sua meta de ''reestabelecer seu lugar como o maior de todos os super-heróis''.
Quem procurar pode encontrar facilmente para baixar na internet, mas vale esperar os DVDs (simples a US$ 19,98 e duplo a US$ 24,98) e Blu-rays (a US$ 24,98) chegarem por aqui. Os DVDs trazem uma prévia da próxima animação homevideo da DC, ''Green Lantern: Emerald Knights'' e um featurette com a visão de Grant Morrison, além de dois episódios de animação escolhidos por Bruce Timm (de ''Batman Animated'', entre outros.
Já o Blu-ray terá também conversa com Grant Morrison, comentários em audio de Timm e Morrison e a história digital que inspirou a animação. Tudo para fazer ''crianças adultas'' bem mais felizes.


