Daniella Schuarts e Leonardo Salomão, em Jaisalmer, Índia
Daniella Schuarts e Leonardo Salomão, em Jaisalmer, Índia


"Já parou para pensar o quanto a comida fala sobre um povo?" Esta é a pergunta inicial que o fotógrafo Leonardo Salomão e Daniella Schuarts, de Curitiba, fazem no topo do site do "Projeto Evoé" (www.projetoevoe.com), um trabalho independente que retrata, pela fotografia documental, a beleza que existe na relação entre o alimento e povos mundo afora. Basta apenas uma olhada rápida para se encantar e impressionar com as imagens tiradas ao longo de um ano de expedição que o casal, junto há seis anos, realizou entre junho de 2015 e junho de 2016, passando por oito diferentes países da África e da Ásia (África do Sul, Zimbábue, Zâmbia, Tanzânia, Quênia, Índia, Nepal e, por último, Tailândia). Neste trabalho - que eles também consideram um projeto de vida -, cores, formas, texturas e "cheiros" misturam-se às paisagens e histórias de cada personagem que encontraram pelo caminho.

A ideia surgiu de um desejo mútuo do casal em unir as profissões que, à primeira vista, parecem não ter relação direta: ele, fotógrafo; ela, nutricionista. Porém, Salomão já havia trabalhado com fotografias de viagens e Schuarts com nutrição em comunidades tradicionais. "Também tínhamos vontade de viajar pela África. Foram, então, dois anos para formatar o que estávamos em busca e, daí, nos prepararmos financeiramente para um ano fora do Brasil. Queríamos ver de perto o saber popular desses povos e mostrar o que essas pessoas têm a ensinar, justamente por não possuírem vozes ouvidas", conta a nutricionista, cuja trajetória profissional começou voltada sob o viés antropológico dos hábitos alimentares e não somente biológico. "Não se tratava apenas em mostrar do que as pessoas se alimentam, mas o que está por trás de como o alimento é cultivado até tornar-se refeição", destaca. O gasto mensal do casal na viagem ficou em R$ 750,00.

Vila de Mugurameno, Zâmbia
Vila de Mugurameno, Zâmbia | Foto: Fotos: Leonardo Salomão



A AVENTURA

Inicialmente, sabiam o local de chegada, ou melhor, ponto de partida. O primeiro país foi Zimbábue, país ao sul do continente africano, onde conseguiram um emprego temporário e estadia segura para se ambientarem. "Não houve muita preocupação ou planejamento exato dos lugares que iríamos. No decorrer das primeiras pesquisas, decidimos focar na forma do projeto e não mais no que líamos, porque as informações abordavam apenas sobre o aspecto da violência, medo, doenças e muito preconceito. Nossa viagem foi marcada, portanto, por uma sucessão de acontecimentos e pessoas que fomos conhecendo no caminho e nos guiaram aos destinos. E não poderia ter sido melhor", lembra o fotógrafo, contando que levou apenas uma câmera, duas lentes e um computador portátil de equipamento. "Precisávamos carregar muita coisa, como barraca para dormir e ter a garantia de um mínimo de conforto."

Imagem ilustrativa da imagem Alimentos que constroem a cultura
| Foto: Vila de Mwika, Tanzânia



A partir de então, a dupla passou por diversas cidades, sobretudo as vilas mais remotas para, assim, poderem vivenciar a cultura alimentar local seja plantando, colhendo, cozinhando e comendo junto com as famílias ou andando pelas ruas para observar a venda e formas de consumo de cada região que variava conforme a proximidade do mar, mudança de clima e a religião.

"Em cada lugar, eram alguns dias de convivência e participação na vida daquelas pessoas. A comunicação, muitas vezes, se estabelecia de forma não verbal. Só quando sentia que eles estavam à vontade com nossa presença, é que eu começava a fotografar para que as imagens retratassem a identidade daquele povo com maior naturalidade possível. Quando já tinha um material legal de fotos e vídeos, partíamos para o próximo destino", comenta Salomão. Além dos costumes, o casal teve a oportunidade de ver paisagens deslumbrantes e animais exóticos e selvagens no percurso.

Vila de Damauli, Nepal: foto vencedora do Food Photography of the Year de 2017, na categoria Food For The Family
Vila de Damauli, Nepal: foto vencedora do Food Photography of the Year de 2017, na categoria Food For The Family



O PROJETO CONTINUA

De volta ao Brasil, o casal entrou de cabeça na edição do material coletado ao longo de um ano e, atualmente, vendem livretos "África" e "Índia" (com fotos da vivência pelos países pelos quais passaram) para financiar a continuação do projeto. "Nossa próxima empreitada é conhecer as cinco regiões do Brasil e mostrar uma cultura do país que pouca gente conhece", diz a nutricionista. O Projeto Evoé participou do concurso fotográfico sobre Alimentação e Cultura, o Food Photographer of the Year, recebendo o terceiro lugar na categoria de "Alimentos à Venda", cuja foto foi exposta na Mall Galleries, em Londres, entre abril e maio de 2016. Já em 2017 tiveram uma foto vencedora no mesmo prêmio na categoria Food For the Family. Em outra premiação, o valor foi totalmente revertido para a compra de tintas para a reforma de uma escola por onde passaram na África. Também produziram um vídeo com crianças da Zâmbia, criado para arrecadar fundos para a escola comunitária da vila.

Serviço:
Livretos Projeto Evoé – Áfria e Índia
Autores: Leonardo Salomão e Daniella Schuarts
Editora: Independente (40 págs. Tamanho 10x15)
Preço: R$ 50,00 (o par)
Pedidos pelo e-mail [email protected] e [email protected]


- Vídeo do Projeto Evoé produzido em uma das vilas na Zâmbia, onde as crianças nunca tinham escutado música em um fone de ouvido. Leonardo Salomão e Daniella Schuarts escolheram uma música do álbum Africa/Brasil do Jorge Ben para criar essa experiência com elas. O material foi criado para arrecadar fundos para a escola comunitária da vila. Veja vídeo usando aplicativo capaz de ler QR Code e posicionando no código abaixo
www.youtube.com/watch?v=z22thq1DQCE

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