Alice Ruiz discute a essência da poesia
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segunda-feira, 28 de setembro de 2015
Marcos Roman<br>Reportagem Local 
Homenageada como patrona da 34ª Semana Literária do Sesc Paraná, a poeta curitibana Alice Ruiz desembarca amanhã em Londrina para participar de um bate-papo com o público do evento. O encontro acontece às 19h30, no Sesc da Rua Fernando de Noronha, e terá como tema "Há várias maneiras sérias de não dizer nada, mas só a poesia é verdadeira", com mediação do jornalista e escritor Rodrigo Garcia Lopes.
Prestes a completar 70 anos em 2016, Alice contabiliza mais de 20 livros publicados a maior parte poesia, mas também traduções e livros para crianças. Foi contemplada com três Prêmios Jabuti de Poesia com "O Guardador de Águas" (1989), "Dois em Um" (2009) e "O Fazedor do Amanhecer" (2012), e participou de diversas antologias publicadas no exterior. Como compositora, tem parcerias com Arnaldo Antunes, Chico César, Zeca Baleiro e Zélia Duncan. Suas composições foram gravadas por Cássia Eller, Adriana Calcanhoto e Gal Costa.
A poeta paranaense já nasceu no contexto da modernidade, sendo naturalmente influenciada por um tempo de novos significados: viveu os loucos anos 70, participou da contracultura e militou pelo feminismo, além de ter sido casada com um dos maiores poetas brasileiros Paulo Leminski (1944-1989), com quem teve três filhos. Escreveu seu primeiro conto, intitulado "O Homem Cizento" com apenas nove anos. A obra foi rasgada em pedaços por uma tia, que temia que a menina seguisse os passos do tio Percy, pintor e poeta, morto por cirrose hepática, e cuja arte parecia influenciá-la. A manobra não foi suficiente, nem mesmo o fato de que a única leitura na casa onde moravam fosse a Bíblia, por precaução.
Os primeiros poemas foram escritos aos 16 anos, mas só saíram da gaveta quando já estava casada com Paulo Leminski. Surpreso, o poeta comentou com Alice que ela escrevia haicais, termo que a curitibana desconhecia. Descobriu, então, e identificou-se com a forma poética japonesa de escrever versos curtos, em três linhas: "flor de abóbora/ pétalas que voam/ uma borboleta" (Jardim de Haijin, 2010); "rede ao vento/ se torce de saudade/ sem você dentro" (Boa Companhia: Haicai, 2009); "basta um galhinho/ e vira trapezista/ o passarinho" (Conversa de Passarinhos, 2008). Nunca deixou de lado os haicais, mas escreveu também poesias longas e inúmeras letras de músicas.
Seu primeiro livro, "Navalhanaliga", foi publicado quando tinha 34 anos, pouco mais de um ano após a morte de seu primeiro filho com Leminski, Miguel, e é dedicado a ele. Já em "Vice versos", que ganhou o Jabuti em 1989, publicou sua primeira declaração de amor a São Paulo, onde mora há muitos anos, e cujo estilo de vida sempre a instigou: "na esquina da consolação/ com a paulista/ me perdi de vista/ virei artista/ equilibrista/ meio mãe/ meio menina/ meio meia-noite/ meio inteira/ inteiramente alheia/ toda lua cheia". Outro Jabuti chegou em 2009 pelo livro "Dois em Um". Grande parte de sua criatividade está ligada a essas provocações, intelectuais e urbanas, que Alice transformou em poesia e letras de canções, a modernidade sempre tocando sua escrita: dos questionamentos à síntese, da linguagem crítica à reflexão sobre o mundo.
Confira a seguir a entrevista que Alice Ruiz concedeu à FOLHA por e-mail.
Serviço:
Bate-papo com Alice Ruiz
Quando Amanhã, às 20 horas
Onde Sesc Londrina (R. Fernando de Noronha, 264)
Quanto Gratuito (os convites devem ser retirados a partir de uma hora de antecedência)



