Alguns destaques da mostra deste ano
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terça-feira, 05 de outubro de 1999
Por Luiz Carlos Merten 
São Paulo, 06 (AE) - Todos os anos é a mesma coisa: a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo traz à cidade as pérolas que os organizadores Leon Cakoff e Renata de Almeida garimparam nos principais festivais de cinema que se realizam em todo o mundo. Eles vão a Berlim, Cannes, Veneza e a muitas outras mostras para selecionar filmes que mantêm o cinéfilo paulistano em sintonia com o que de mais avançado e importante se faz no cinema de todo o mundo. A seguir, alguns dos destaques da mostra deste ano: "O Vento nos Levará" - O novo filme do iraniano Abbas Kiarostami prossegue com a temática da morte, que ele desenvolveu em "Gosto de Cereja". Vencedor do prêmio do júri no Festival de Veneza, mostra um grupo de pessoas que chega a um remoto vilarejo no Curdistão para visitar o cemitério local. Cakoff, co-autor, com Renata de Almeida, do curta "Volte sempre
Abbas", define o novo filme do mestre do cinema do Irã: "Poesia, sensibilidade e uma fotografia belíssima compõem o quadro das certezas e dúvidas humanas". "A Humanidade" - O francês Bruno Dumont, que já venceu o prêmio da mostra com "A Vida de Jesus", prossegue com as dolorosas indagações daquele filme. Ele vem sendo comparado pelos críticos a Robert Bresson. A propósito de seus filmes, "Cahiers du Cinéma" escreveu que Dumont, aparentemente realista, coloca na verdade o complexo problema da metafísica para o espectador atual. "Homo Sapiens" - Mesmo diretor de "Arquitetura da Destruição", Peter Cohen estará duplamente presente na mostra deste ano. Integra o júri que vai atribuir o troféu Bandeira Paulista para novos diretores e ele próprio dirige esse documentário que integra a programação. O tema promete controvérsia: a limpeza racial. Cohen desvenda documentos oficiais que revelam idéias e teorias sobre a eugenia, como formas de aperfeiçoar a espécie humana e criar um novo homem. "Verão Feliz" - Depois de "Hana-bi - Fogos de Artifícios", o novo filme de Takeshi Kitano era aguardado com particular ansiedade. O cineasta japonês mais talentoso da atualidade surpreendeu e até dividiu os críticos no Festival de Cannes com essa história sobre um gângster que se liga a um menino em busca de sua mãe. Alguns críticos brasileiros presentes em Cannes foram radicais, achando que alguns filmes dos Trapalhões conseguem ser mais divertidos. Ledo engano: "Verão Feliz" é outro belo trabalho de Kitano. "Moloch" - Há dois anos, o russo Alexander Sokhurov provocou um dos grandes impactos da 21.ª Mostra com "Mãe e Filho". Desta vez ele vai desconcertar com o filme que reconstitui o cotidiano de Adolf Hitler e Eva Braun. Você nunca viu nenhum filme de guerra como este. Para início de conversa, Hitler revela-se tão alienado que nunca ouviu falar em campos de concentração. O filme ganhou o prêmio de roteiro em Cannes 99. "A Carta" - Quando acerta, o mestre português Manoel de Oliveira realiza filmes maravilhosos. Quando erra, faz coisas como "A Carta", que atualiza o romance clássico "A Princesa de Clves", de Madame de La Fayette. O filme ganhou o prêmio do júri em Cannes. "Gente da Sicília" - Um filme genial de Jean-Marie Straub e Danile Huillet. Baseado no censurado romance homônimo de Elio Vittorini, relata o emocionante retorno de um homem à terra em que nasceu. Mas é programa para quem gosta de cinema experimental e exigente. "O Primeiro Dia" - O novo filme de Walter Salles, após o êxito internacional de "Central do Brasil". Integra o projeto "O Ano 2000 Visto por..." e trata de um velho presidiário que, na virada do século, faz previsões para o novo milênio. Daniela Thomas co-dirige, ela que trabalhou com Salles em "Terra Estrangeira". "Garagem Olimpo" - O filme ítalo-argentino de Marco Bechis traz imagens estarrecedoras sobre a repressão do regime militar na Argentina. "As Bodas de Deus" - Realizador do brilhante "A Comédia de Deus", o português João César Monteiro retoma o personagem João de Deus, por ele mesmo interpretado. "Heróis do Tirol" - Prefeito resolve transformar lugarejo tradicional do Tirol num centro turístico. O resultado é uma comédia kitsch que confirma o talento de Niki List, o diretor de "O Bureau de Muller", exibido na 10.ª Mostra. "Adeus, Lar Doce Lar" - A história de um rapaz que abandona a casa dos pais para viver na rua. O diretor Otar Iosseliani é presença frequente na mostra com seus trabalhos de alto nível. "Nenhum a Menos" - O novo filme do consagrado Zhang Yimou, premiado há pouco com o Leão de Ouro em Veneza, tem sido comparado a "Central do Brasil". Conta a história de uma professora chinesa que luta para manter seus alunos na sala de aula. "Assim Nós Rimos" - O vencedor do Leão de Ouro em Veneza no ano passado conta a história de dois irmãos sicilianos que migram para o norte da Itália. Pretexto para que o diretor, o importante Gianni Amelio, dialogue com o clássico "Rocco e Seus Irmãos", de Luchino Visconti. "O Entusiasmo" - Ricardo Larrain discute o Chile pós-Pinochet por meio de três amigos que fazem um pacto contra o modelo capitalista imposto pela ditadura militar. "A Presa/A Pedreira" - A belga Marion Hnsel, que este ano integra o júri da mostra, parte da morte de um pastor gay para discutir o apartheid que ainda persiste na sociedade sul-africana.


