Alfredo Sirkis discute maio de 68
Elisa Marilia Carneiro

France PresseRuas de Paris em maio de 68: movimento moldou trajetórias políticas e intelectuaisA discussão sobre a intervenção dos acontecimentos de maio de 68 começam a tomar vulto no auditório Brasílio Itiberê, na Secretaria de Estado da Cultura, em Curitiba. O tema de hoje do programa ‘‘Desejos de Transformação - 30 anos do maio de 68’’ envolve a ‘‘Inquietação e Acomodação: trajetórias políticas e intelectuais’’.
Entre os debatedores convidados, o escritor, jornalista e presidente nacional do Partido Verde, Alfredo Sirkis e a professora de Sociologia Urbana da Universidade Federal do Paraná, Maria Tarcisa Silva Bêga. A mediação fica a cargo do professor Emmanuel Appel, do departamento de Filosofia da UFPR.
Maria Tarcisa faz a reconstituição de parte do percurso político de vários militantes que vivenciaram os principais acontecimentos de 68, no Paraná, em especial no movimento estudantil. ‘‘Um grupo grande de pessoas que participaram de alguma forma dos acontecimentos de maio 68 estiveram no poder durante o governo Richa. Essas pessoas tinham em comum a perspectiva de esquerda e a luta contra a ditadura. No governo, elas têm o grande momento de praticar suas propostas ’’, diz.
‘‘Parto teoricamente da idéia de geração, que entendo como constituída de contemporâneos que não só foram expostos às mesmas experiências e marcados pelos mesmos acontecimentos históricos e pelas mesmas transformações, mas que, por terem passado por experiências comuns, possuem um conjunto de afinidades e sensibilidades vividas num mesmo momento, capazes de forjar uma visão comum do mundo.’’
Tais ‘‘atores’’ estiveram no palco das ações que culminaram com a vitória de Richa como candidato do PMDB ao governo do Paraná, tendo como desafio prático a possibilidade de intervenção no primeiro governo de oposição, durante o processo de redemocratização.
Autor de ‘‘Os carbonários: memórias da guerrilha perdida’’, Alfredo Sirkis vem à Curitiba explicar aos que não viveram nessa época, o que representou o ano de 68 no campo político, cultural e comportamental. ‘‘Com os movimentos estudantis, houve rupturas e construções que perduram até hoje’’, lembra. Como exemplo ele cita a geração de ouro da Música Popular Brasileira, o marco do cinema novo, a revolução sexual ‘‘como conquista definitiva’’. São dados culturais que desabrocharam e que perduram. Diferentemente do campo político onde não houve consequências importantes. ‘‘A revolta foi rapidamente esmagada. No campo político considero que as mudanças foram efêmeras’’, sintetiza.
Inquietação e Acomodação: Trajetórias Políticas e Intelectuais. Dia 06 de maio, às 20 horas, no auditório Brasílio Itiberê da Secretaria de Estado da Cultura, Rua Ébano Pereira, 240, em Curitiba.

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