O pensamento como ação é a tentativa de retardar o tempo para que a ação se faça antes da matéria concebida. É atrasar a objetivação do objeto dado, em pelo menos um passo antes de qualquer concreção. De tal modo que, sendo, passa a ser a representação de si próprio enquanto discurso. É fala que se fala.
Com a arte seria assim, não tivéssemos que aderir à retórica para separar teoria e prática. Na verdade, qualquer espaço vazio é espaço ocupado, também. Cada gesto exclui uma infinidade de possibilidades de outros gestos. Sua afirmação se dá tanto pela presença física, quanto pela ausência, sentida.
Uma imagem é, sendo. E ela conta várias histórias, por menos que seu conteúdo transborde para fora de sua forma. Por menos que sua estrutura se abra a outras significações, interpretações, leituras. Por mais que ela diga apenas sobre ela mesma.
E também seu oposto. Pois a própria diagramação, seja da letra impressa, seja da palavra dita, sintetiza, em si - como fragmento - tudo o que se puder arrancar do todo: algo próximo ao fractal. Só que ainda menos, quase lá. Sensações.
Mesmo a noção holística poderá se adaptar a determinado discurso, como princípio de ação, porque ele não reivindica nenhuma inteireza, mas um espaço de atravessamento entre uma idéia e sua concretização enquanto gesto, atitude: plástica e poética.
É arriscado dizer coisas. Quando os caras do Pop Art venderam o consumo, o consumismo os devorou como a uma embalagem de sabão. A crítica pode ser a análise de uma síntese, mas quando ela também se torna poesia, fica imantada de densidade. E cada interpretação passa a ser somente mais uma possibilidade de leitura, dentre várias. O autor perde o domínio do seu fazer. Sua ação é simplesmente abrir as comportas da linguagem, o resto é criação de cada um. E essa ação nunca está isolada do pensamento, como se este trouxesse aquele para o palco das realizações e depois o abandonasse, em busca de novos talentos para o substituir.
O acaso, contrário ao planejamento dos processos computacionais de projeção (Pierre Levy, 1990), ainda é a fonte dos sentidos em transformação, deixando espaços suficientes para o vazio, mesmo em situações onde falta o ar. A eternidade pesa sobre a ponte que se quebra. Anos e anos permitindo pessoas passarem para lá e para cá. De um extremo a outro. Agora que a imaginação voa.
Arte é a idéia de arte (Kosuth, 1969). Arte é a idéia de. Arte é a idéia. arte é a. Arte é. Arte. Ar. A. .
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