''Não me pergunte por quê/ Quem-Como-Onde-Qual-Quando-O Quê?''
Da música Todo Mundo Explica Tudo> (Raul Seixas)



Diferença de termos

Não, não é o Tropicalismo. É Tropicolismo, mesmo. Barateamento do Movimento Tropicalista dos anos 60/70, que tinha Caetano e Gil (Torquato e Tom Zé) na linha de frente, trazendo mudanças comportamentais e de linguagem, nas artes. Barateamento, no caso, não quer dizer nem melhor e nem pior, nem mais caro, nem menos caro, mas de barato, mesmo, como diziam os hippies: ''um barato''. Ou melhor, barato no sentido alucinógeno do termo, transcendente, de ''dar barato''. Outras acepções para o termo, fica por conta de cada um, já que quem dá barato não dá, vende.
Como todos sabem, o termo tropicalismo vem de uma obra do artista Hélio Oiticica, a Tropicália, um ambiente criado em 1967, dando nome ao disco e, depois, ao movimento. Mas o Tropicolismo vem do verbo tropicar, que e o mesmo que tropeçar, cometer um erro para que se ache graça dele, entrar em uma situação constrangedora para se tirar dali o humor. Uma maneira divertida de chamar para um assunto sério.



Estratégia de inserçao

Tal assunto ''sério'' pode ser desdobrado a partir das perguntas básicas da pauta jornalística, sintetizadas acima na epígrafe assinada pelo cantor Raul Seixas, mas com o adicional de se fazer uma última pergunta para os tempos em que vivemos, ou seja: quanto? A arte deve ser testemunha também de seu tempo - ainda que o tempo esteja errado - mas sem meios não há como concretizar nada, nem Tropicalismo e nem Tropicolismo. Coloca-se, dessa forma, um ponto crucial na concepção do Tropicolismo que é parte de sua estratégia de inserção mercadológica, uma vez que a linguagem desenvolvida por seus agentes se faz com o uso de idéias de segunda mão e reciclagem de conteúdos alheios. Algo na linha da Antropofagia Oswaldiana, no modernismo brasileiro, mas, agora, com a apropriacao da lábia, que está na origem de nossa formação cultural branca, européia, particularmente portuguesa.



Meios de circulação

Como não há um pensamento sem suporte para sustentá-lo, a produção intelectual e material do Tropicolismo passa pela invenção de seu próprio meio comunicante, criando, para isso, uma mídia própria, cuja circulação passa pelo boca-a-boca, pela telepatia e pelos sonhos. Por que não? Afinal, se a virtualidade se coloca com tanta presença na vida das pessoas hoje em dia e se os artistas podem usar meios distintos para se comunicarem, tal como usar linguagem de vídeo para falar de arquitetura, ou da pintura para falar de fotografia e, mesmo, usando a sociologia e a filosofia para fazer arte, então talvez seja possível estabelecer princípios poéticos baseados no delírio. Esse o interesse Tropicolista, uma vez que, no caos, tudo é relativo. E é
esse e o barato.

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