Fugindo às definições
  Se o questionamento do que venha a ser a ciência e a filosofia e quais as funções que elas cumprem no destino da humanidade parece ser menos controverso do que a arte, é porque esta sempre consegue resistir e escapar a rótulos e definições, por mais acabados que pareçam.
  Não só porque a pergunta sobre o que é a arte e para que ela serve se transforma através dos tempos e dos lugares onde é enunciada, mas, também, porque não há nenhuma unidade estilística e formal que garanta a supremacia de um certo trabalho realizado sobre outro qualquer.
  Em se tratando de arte contemporânea, então, nem se fale. Principalmente da arte produzida depois da metade do século passado para cá, herdeira da tradição de rupturas que se acentuaram. É o caso da art Minimal e da Pop-art, incluindo-se Performances, Instalações, Arte Conceitual, Intervenções Urbanas, etc.

Arte em si
Se dissermos que a Beleza define a arte, então deveremos identificar um objeto e um sentimento que imite algo que tenha correspondência no mundo visível. Mas, assim, descartaríamos o próprio postulado modernista de invenção e criação que a arte reclama para si, afirmando que algo é por si, não precisando se tornar a cópia de outro, parecendo ser o que não é. Por exemplo, quando uma senhora indignada vendo as pinturas do pintor Matisse lhe disse que não existia uma mulher verde, o pintor lhe respondeu que aquilo não era uma mulher, mas uma pintura.
  De todo modo, a noção que temos de Beleza ainda passa pela questão da subjetividade, já que não podemos medir racionalmente o que seja A Beleza. E entramos em um terreno que inclui a questão do gostar ou não gostar de algo. É certo que o grau de conhecimento sobre determinado assunto apura o gosto, mas até aí não temos condições de dizer que tal coisa é ou não é arte, ainda. Apreciar vinhos, ser arrebatado por uma paisagem, achar alguém bonito. Isso pode ter Beleza. Chamamos a isso de Bom Gosto. Até de arte, também. Mas arte isso não é, pelo menos enquanto não estiver inserido dentro do conceito de Arte.

Além de pensar. Viver
  Sócrates já se debruçava sobre essa questão há mais de dois mil anos, tentando definir o que era O Belo, O Bom e O Justo. E outro filósofo, Kant, buscou traçar a genealogia do gosto segundo o juízo da razão. As mesmas perguntas que fazemos hoje e que continuam abertas ao debate.
  Só que, diferente da filosofia, a arte se questiona e questiona o mundo através dos materiais que usa e que transforma, modificando, a cada vez, nossa própria forma de ver as coisas do mundo. E é diferente também da ciência, pois depende da subjetividade de quem entrará em contacto com a obra de arte, ainda que intermediada pela linguagem e por sua força comunicativa.
  De certa forma, a arte não é para ser pensada. Talvez, nem para ser sentida. A arte é para ser vivida. ‘‘Navegar é preciso, viver não é preciso’’, no entanto.

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