A imagem da imagem - A imagem do mundo. A imagem que fazemos de alguém. A imagem que representa quem somos: dr. fulano, sr. sicrano, seo Zé. A representação da imagem da santa. A imagem da propaganda. A imagem de uma escola. A imagem dos políticos, dos artistas, a imagem que a imagem tem de si, ainda assim é intermediada pela imagem que cada um é capaz de perceber de cada coisa. Um filtro entre o olhar e a imagem, como diria Merleau-Ponty, em ‘‘O visível e o invisível’’. Aquele velho raciocínio: o que você vê impresso não é a Mona Lisa, mas uma reprodução, de uma foto, do quadro da Mona Lisa. Mais, sobre ele – o quadro, a pintura – há camadas e mais camadas de histórias, valores, interpretações, fetiches, lendas que acabam por compor a ‘‘imagem total’’ do que venha a ser, ou do que pareça ser A Mona Lisa. Ou a propaganda do NOVO celular, óculos, carro, etc. que o torna mais MODERNO, ATUALIZADO, IN. Por aí vai. A imagem que temos é a imagem que fazemos das coisas deste mundo. Geralmente para catalogar, rotular, criar uma relação que nos torne próximos daquilo que desejamos, que queremos possuir. Ao adquirir um produto de tal marca, por exemplo, estamos também incorporando ao valor deste produto sua procedência, seu status, charme, sua marca e procedência. Queremos nos tornar a imagem que a propaganda nos diz o que ele é.
  Universo onírico - Além dessa visão interpretativa sobre a imagem, é possível pensar uma outra, ligada aos sonhos, que não controlamos, dos desejos a que não sabemos nomear. Ela pode ser encontrada tanto na poesia, na arte, de uma forma geral, quanto nas imagens mentais que são construídas na nossa cabeça durante o sonho. Nessas imagens podemos voar; ter a cabeça cortada conversando com um travesseiro que avisa sobre um corpo em retirada; ou um prenúncio de algo que está por acontecer; um sentimento de recordar de vidas passadas; pavores escondidos durante o dia; e outras inumeráveis formas onde a imagem anuncia sua presença nem sempre compreendida, mas sempre onipresente.
  Realidade high-tech - A relação com a imagem, hoje em dia, também está presente na chamada realidade virtual, em que a imagem vem sendo gerada cada vez com mais velocidade e qualidade. Os chamados cyber-cafés pipocam pelas cidades, abrindo e fechando suas portas como em um piscar de olhos, sendo substituídos por outros, com equipamentos de última geração, web cam que faz isso e aquilo, fones, jogos de rede, sensores e, até com ‘‘searchs’’ – programas de busca – que dão resultados de vídeos on line, como já existe com as imagens extáticas, como fotos, por exemplo.
  Entre monstros e xamãs - Por falar em imagens e suas implicações com a nossa imaginação, que dizer, então, das múltiplas pesquisas em laboratório, no campo da biologia, da genética, da robótica, ou da cibernética? Pensemos nos ratinhos com orelhas humanas servindo de cobaias para experiências genéticas. Na lebre de Eduardo Kac, de olhos fosforescentes, em cujo DNA foi adicionado o DNA de algas fotoluminescentes. Ou, fazendo uma previsão até onde pode chegar esse tipo de experiência, pensemos no robô-orgânico, nos clones humanos, nas plantas-bichos, nos vermes-monstros, que podem, nesse instante, estar sendo cogitado em algum misterioso laboratório multinacional. Claras-crocodilo invadindo nossos sonhos. O horror! Talvez seja por isso que o terror no cinema se tornou tão popular. A realidade se torna tão inacreditável que já nem distinguimos mais uma coisa da outra. No filme do Michel Moore, sobre o atentado de 11 de setembro, nos EUA, há uma cena em que os soldados matam iraquianos como se estivessem em um ‘‘game’’ virtual, escutando músicas exaltando a violência. Mas quando eles próprios, os ‘‘heróis americanos’’, vêem morrer de verdade seus companheiros, aí choram querendo a mamãe, como pequenas crianças mimadas. O fato é que não sabemos onde tudo isso pode parar, digo, as invenções, até porque os recursos energéticos que são as fontes que garantem as pesquisas, são finitos, mas não nossa imaginação, de onde, creio, nasce a palavra IMAGEM. Como disse, certa vez, o artista visual, professor Nelson Leirner: ‘‘os xamãs vão à lua muito antes dela ter sido pisada por um astronauta, sem que a civilização volte os olhos a isso, que é, igualmente, fantástico’’. Talvez aconteça na TV!

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