A exposição ''Londrina Artes Visuais'', em exposição até o dia 27 de agosto, na Casa de Cultura da UEL e no Museu de Arte de Londrina é uma oportunidade rara para o público de Londrina e região entrar em contato a produção local de trabalhos de arte - pintura, desenho, gravura, escultura, fotografia e objetos - reunidos em uma grande coletiva de artistas que atuaram e ou atuam na história das artes visuais em Londrina. São mais de 50 nomes, no todo.
Agregados em núcleos temáticos, trabalhos de um artista podem pertencer a mais de um desses núcleos, mostrando, muitas vezes, diferentes fases de seus trabalhos. Quando isso ocorre, os trabalhos obedecem ao conceito curatorial desenvolvido pela professora e diretora da Divisão de Artes Plásticas da Casa de Cultura, Carla Araújo e, não exatamente, ao desenvolvimento das fases da obra de cada artista. Por exemplo, o artista Bira Senatore possui trabalhos que vão de gravuras em metal à gravuras digitais expostas na mostra, mostrando concepções completamente diferentes de pensamento plástico/formal entre uma e outra fase.
Ou seja, a exposição não se presta a ser vista como retrospectiva da produção individual. Ainda assim, o artista Henrique Aragão ganhou um nicho para mostrar várias de suas esculturas, feitas com madeira e metal. Algumas obras de Aragão estão em vias públicas e são bastante vistas, como as que ficam na rotatória da rodoviária, ou na rotatória do CCH, na UEL. O que chama a atenção, nesse caso particular da exposição na Casa de Cultura, são as diversas maneiras como o artista enfrenta seu material de trabalho.
Saindo de um virtuosismo técnico absurdo, cheio de detalhes, em uma peça que uma ave, em madeira, segura um ser alado, em metal, o artista passa por várias ''metamorfoses'', incrusta asas em um pedaço de raiz e chega, finalmente, a uma síntese radical. Trata-se de uma barra de metal, em forma quadrada, envolvendo um pedaço cilíndrico de tronco de madeira, dando asas, de fato, à imaginação. Aqui, pode ser pensada a relação entre natureza e cultura; formas orgânicas e formas construídas; transcendência e imanência.
E tudo o mais que pode conter uma relação que, ao final, pode ser resumida na junção de duas formas básicas: o quadro e o redondo. Quando o artista limpa qualquer traço/gesto supérfluo de seu discurso e chega direto na questão plástica, que, em última análise, é o que interessa ao pensamento artístico.
Tudo o que se reduz em categorias tende à exclusão das variantes, é certo. Mas mesmo dentro das categorias, existem as exceções. Portanto, além das linguagens artísticas contempladas, mencionadas acima, há, também, ''livros de artista'' e, apesar de não ser assim tão evidente, até instalações de
arte.
Os ''livros de artista'' são aqueles em que cada página do livro, ou do material colocado em caixas, é trabalhado individualmente. Há uma sessão especial deles dentro do amplo espaço da Casa de Cultura.
Sobre instalação, a artista Fernanda Magalhães criou uma vitrine, ou um armário que, embora seja para mostrar vidros/objetos contendo fotografias, pode ser chamado, também, de uma instalação que contém, em cada vidrinho, outras instalações. Pois cada um remete a uma história diferente, dependendo da forma de cada vidro - sejam potes, vidrinhos de remédios ou perfumes, conta-gotas - e das imagens colocadas dentro deles.
Pode ser, por exemplo, uma mulher com a boca aberta, bocejando, parecendo mostrar um certo tédio de ficar dentro, esperando. E se a gente abrir aquele potinho vai sair um som de alguém se espreguiçando de lá. Ou pessoas muito grandes e gordas que não deveriam caber dentro do recipiente em que estão e que vão vazar dali, como se fossem moradores de Lilliput. Há, também, cenários mínimos com fotos recortadas, parecendo cineminha ou teatrinho. E os conta-gotas, com fotos enroladas enfiadas dentro, fazendo a gente imaginar que as histórias vão sair pingando dali.
Tratado de forma lúdica, todo esse trabalho guarda um sabor de diário visual, de um documento de passagem, de memórias. Além, evidentemente, da reciclagem e do achado dos vidros para abrigar certas narrativas de causos e histórias que a artista nos oferece, como uma espécie de confidência.
Enfim, a exposição ''Londrina Artes Visuais'' chama atenção, não por alguma unidade temática, ou mesmo - ao menos eu não consigo ver - por um discurso plástico distinto, como marca dos artistas londrinenses. Mas por ser um panorama amplo que reúne a diversidade da produção local.

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