ALFABETO VISUAL - Provocações à crítica e aos jurados
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 16 de julho de 2002
Rubens Pileggi Sá<br> Especial para Folha 2 
Indignada com o resultado do prêmio ''Interferências Urbanas 4'' e acusando o jurado de ''pintores'' que analisaram propostas de arte contemporânea para o espaço público do bairro de Santa Tereza, no Rio de Janeiro, a ANT-anarco-libertária-artista Graziela Kunsh, em um relato escrito inicialmente para o site de arte www.itenonline.com.br, fala da importância de alguns trabalhos que não foram aceitos e questiona o fato de terem sido selecionados apenas oito projetos, quando eram previstos até dez trabalhos. Ela diz: ''Criticar tal escolha (a do júri pintor) pode representar um CONTRA-senso em alguém que sempre nega as categorias e as limit-ações, mas no caso do Prêmio Interferências Urbanas o júri de pintores parece ter minado todo projeto que não tem a visualidade como recurso e/ou resultado apreendido''. E manda um recado diretamente a um deles (um juiz sendo julgado), Luciano Figueiredo: ''que decepção perceber que você só compreende o Hélio a partir da sua (dele) capacidade de realização plástica, e não por sua competência e MAR-ginalidade heróica-crítica-participativa-vivencial; ou que escreve sobre ele e sua obra só porque o cara já está morto e, APARENTEMENTE, não representa mais perigo de tremer e abalar e DESTRUIR o sistema: acredito que hoje o Hélio manifestaria a ''vontade destrutiva geral'' como atualização das vanguardas construtivas. Aceitar a MAR-ginalidade ainda viva exige da crítica um empenho e uma ousadia enormes.''
Essa também é interessante. Trata-se de uma carta que o artista Alexandre Vogler enviou ao crítico e escritor Afonso Romano Sant'Anna, pedindo ''conselhos'' a este senhor que é contrário à arte contemporânea: ''separando o joio do trigo''.
Olá Afonso
Me chamo Alex e sou estudante de artes plásticas. Acompanho sempre sua coluna e tenho achado muito convenientes suas colocações acerca da arte contemporânea (essas de salões e curadorias equivocadas). Até que enfim vejo pessoas como você, o Joaquim Ferreira, o Wilson Coutinho se colocando frente à banalização geral apresentada nos museus em mostras de caráter duvidosos. É realmente triste e lamentável nos defrontarmos com esse panorama. Porém acho que deve haver, ainda, bons e verdadeiros artistas que possam dar um norte à produção de artes plásticas. É fundamental que esses artistas (que possam ser capazes de nos salvar dessa condição) sejam citados, como forma de nos situar quanto as REAIS propostas de arte no novo século que se coloca. Se possível, gostaria que me citasse alguns de sua preferência, pois eu, como estudante, anseio por uma formação sincera e longe de equívocos. Acho que assim, e só assim, sejamos capazes de crescer e ver nossa cultura à altura dos melhores centros de arte do mundo. Ou seja, separando o joio do trigo. Portanto, se possível, separe-nos o joio do trigo. Grato pela atenção. Alex.
Resposta do colunista
É isso, Alex, e está cada vez mais consistente a repulsa ao engodo. Entre no site do New York Times e verá a crítica Roberta Smith dizendo do desastre que é a exposição ''contemporânea'' da Whitney. De todo lado, artistas me dizem a mesma coisa e muitos voltaram a pintar depois desses meus artigos, o que é gratificante. Vejo muitos alunos de arte agora com coragem de enfrentar professores ''moderninhos'', há uma rebelião em curso.
Vamos em frente porque há muito ainda a dizer. Abraço, ars.''


