Quem está ligado em cultura, vai. Quem se interessa por questões sociais e ocupação de espaços urbanos, não pode perder. Quem gosta de arte, também. Quem quer se informar, vai lá. Quem quer participar, idem.
É o projeto ReverberAções chegando em Ritmos de Urgência a Londrina. Com uma programação que inclui mostras de vídeos e rodas de debates com artistas e intelectuais do Brasil, da Argentina e da França. A abertura do evento será no na sexta-feira (leia texto nesta página).
Encontros como esses só têm sido possíveis graças às configurações de práticas coletivas que se fortalecem no país, conseguindo, assim, visibilidade e autonomia antes impensável na prática artística. Não é à toa que esse evento tenha sido proposto a partir de um núcleo que reúne vários coletivos - um coletivo de coletivos - denominado CORO ( www.corocoletivo.org). Segundo sua coordenadora, a também artista Flávia Vivacqua, de São Paulo, a idéia de Ritmos de Urgência é ''dar visibilidade às fundamentais práticas e pensamentos da cultura atual''.
Iniciado em São Paulo, o ReverberAções 2006 passa por Londrina para abrir caminhos para um debate que se amplifica e para mostrar que uma produção que leva em consideração a cidade, o tecido urbano e o espaço público, não deve se sujeitar a receber passivamente do poder político institucionalizado o modelo de ocupação desses espaços, mas, antes, construir juntos e interdisciplinarmente esse lugar de viver, morar, estar.
Segundo a professora Maria Carla Araujo, da Casa de Cultura da UEL, que sediará o evento, ''configura-se oportunidade ímpar para a cidade se interrogar sobre o sentido e os vínculos da arte e das relações sócio-culturais e econômicas''. Ou seja, uma oportunidade para se pensar a vinculação da arte ao social, dentro de uma visão que vai além da construção de objetos e obras para contemplação, ou de efeitos decorativos.
Entre os participantes há historiadores, professores de arte, artistas, arquitetos, psicólogos, sociólogos e até professores de Letras, como a doutora Maria Elisa Gevasco, da USP de São Carlos. Assim como ela, que abordará a questão da produção estética com as formas de financiamento e decorrências sócio-políticas implicadas nessa relação, os debates se estenderão mostrando a cidade como palco de tensões que se tornam apropriadas para intervenções de coletivos de artistas e ativistas, como é o caso do grupo BijaRi - formado por arquitetos, artistas e músicos, entre outros - que tem na ação urbana sua prática mais comum. Enfim, práticas de contra-informação, contra-propaganda e outras abordagens que se instauram no território do contemporâneo farão parte das rodas de debate.
Compreender a lógica dos arrastões no Rio de Janeiro; a ação dos 'piqueteiros'' na Argentina; as relações vinculadas ao fluxo de mercadorias e produtos; as realidades inventadas pelos meios físicos e virtuais é, também, compreender o desenvolvimento das cidades como espaço de ocupação de uma cultura em movimento contínuo. É dentro desse ''movimento contínuo da cultura'' que a prática dos coletivos ativistas se justifica e que o seminário Ritmos de Urgência se propõe a debater.
Hoje, excepcionalmente, publicamos a coluna Alfabeto Visual nesta página.

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