Começando pelo fim - Sabemos que as reservas naturais estão se extinguindo e o ambiente corre perigo. Sabemos o que são as queimadas, o que o extrativismo provoca, o que está gerando a quantidade de gases tóxicos espalhados no ar, o que representa o latifúndio e a monocultura. Enfim, todos esses problemas com o destino do lixo, a poluição das águas, etc. produzindo buracos na camada de ozônio, efeito estufa e riscos para a sobrevivência no planeta.
Mais, sabemos que tudo isso tem sido feito em nome do progresso, do desenvolvimento econômico, da promessa de geração de rendas e empregos. Mas sabemos também que a concentração de bens se acumula enquanto a miséria se expande assustadoramente.
A promessa de que a tecnologia poderia trazer mais tempo de lazer ao trabalhador, que este não precisaria passar a vida toda em uma fábrica apertando botões, não se concretizou. Aumentou o número do chamado ''exército de reservas'', dos deserdados sociais. A tecnologia só é acessível a quem tem poder de consumo.
O que acontece hoje, é que temos um número muito maior de indústrias fabricando produtos do que pessoas para consumi-los. É uma lógica perversa que coloca a questão da seguinte maneira: é preciso fabricar mais, para tornar os produtos mais competitivos, para quem quiser sobreviver no mercado. Ora, para quem concentra poder e renda, antes o fim do planeta do que abrir mão de suas posses.
Nesse jogo de poder e interesses, o trabalhador braçal, o operário, o empregado, é obrigado trabalhar como escravo para poder garantir minimamente sua sobrevivência, em um mundo que valoriza, cada vez mais o consumismo como símbolo de status. O trabalho tornou-se um fardo que o trabalhador faz questão em não pensar, para não enlouquecer diante de todo esse quadro de horror. Quer dizer, a relação com o fazer não é, geralmente, uma experiência de prazer, mas de sofrimento. Ele não sente que aquilo que ele faz é algo importante para a vida, mas faz porque não lhe sobra outra opção.
Retomando o equilíbrio - Por outro lado, vemos nascer, a cada dia mais, uma consciência planetária difícil de acreditar há até alguns anos atrás. Posições muito firmes que exigem desarmamento, fim das explorações nos vínculos de trabalho, equilíbrio ambiental, tempo livre para o lazer, para o lúdico, para o desenvolvimento da cultura e da arte, tornam a situação, se não menos pior, ao menos não entregue à própria sorte.
De qualquer forma, as estruturas vão se adaptando aos modos e padrões de ver o mundo como construção e não como consequência de uma eterna cadeia de conflitos. Até porque essa cadeia tem dia e hora contados para terminar, caso se insista nessa visão retrógrada de progresso.
Apontando direções - Uma das visões mais interessantes desse processo é a de procurar cruzar experiências de todas as áreas do conhecimento para se chegar a sensos comuns. O chamado conhecimento holístico, que engloba o todo pelas partes - e não ao contrário, como vinha acontecendo nas ciências e nas artes - abre-se para um leque de experiências, que não eram admitidas pelo conhecimento especializado de algum tempo atrás, perdido nos detalhes, sem conseguir compreender a generalidade das questões.
A arte, particularmente depois da metade do século passado, vem passando por mudanças radicais no modo de pensar a si mesma diante da realidade exposta de nossos dias, diante da chamada contemporaneidade. De forma geral, a arte está cada vez mais comprometida com as coisas da vida, isto é, ela luta pela sua inserção no cotidiano das pessoas, no dia-a-dia do homem comum.
O fim do objeto artístico proposto pela arte conceitual levava em consideração, também, o fim de um produto que sempre (pelo menos depois da ascensão da burguesia ao poder) interessou como mercadoria, como negociação, como jogo de interesses e poder. E resolvia a questão da criação simplesmente propondo que o processo de arte já era arte, também, não tendo um fim em si como mercadoria. Uma vez terminado o processo de trabalho, também a obra teria se ''desmaterializado''. A precariaedade e a perecibilidade na obra de arte, que sempre incomodou o fazer artístico, agora seria considerada como ponto a ser levado em consideração pelo artista. A arte começava a se tornar aliada da vida (se não pela primeira vez) novamente.
Continua na próxima semana.

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