Alfabetização pela poesia
Marcos Losnak
De Londrina
Especial para a Folha2
Com o objetivo de passar amor pela arte, pela natureza e pela família através da poesia, a escritora paranaense Martha Francisca Scripes criou a coleção Fazendo Arte. Lançada pela Editora Base de Curitiba, no ano passado, a coleção é formada por oito livros infantis que trazem pequenas histórias narradas em versos rimados e metrificados. Hoje a escritora lança a coleção em Mandaguari dentro da programação que a Secretaria Municipal de Cultura, Educação, Esporte e Lazer e o Elos Clube estão promovendo para professores e alunos do primeiro grau. Além de Fazendo Arte, Martha Scripes relança o livro de poesia A Flor do Cacto (1994) e o livro de contos Roda-Viva (1996) durante o evento.
Utilizando a arte-educação, a obra de Martha Scripes Fazendo Arte propõe uma aplicação multidisciplinar de seu conteúdo. Com histórias de temáticas variadas, os volumes A Ecologista Gralha-Azul, A Bezerrinha Gulosa, Noite de Natal, A Festa no Galinheiro, O Ratinho Músico, O Ninho do Beija-Flor, O Menino Comilão e A Cambalhota da Tartaruguinha trazem ilustrações de Arthur C. Rosseto de Castro para serem pintadas pelas crianças. Complementando os livros, há uma fita cassete com músicas infantis, compostas pela autora e Vitor Hugo Gorni, e um texto para encenação teatral.
Como professora, Martha Francisca Scripes sempre utilizou a poesia como instrumento de alfabetização e no ensino da língua portuguesa. Com experiência de 45 anos de magistério, trabalhou com alfabetização de crianças e adultos, tanto na zona urbana como na rural. Antes de chegar na forma definitiva da coleção Fazendo Arte, aplicou as histórias, durante anos, em salas de aula do colégio Antônio Ferreira da Costa de Cambé.
Indicados para crianças não alfabetizadas, em processo de alfabetização ou recém-alfabetizadas, os livros abordam situações reveladoras dentro da simplicidade do cotidiano familiar. De cunho moral, as histórias buscam revelar os elementos poéticos existentes nas experiências vividas pelas crianças. A própria Martha Francisca Scripes não esconde sua paixão pela poesia. Em suas palavras, encara o mundo como um poema, as pessoas são versos e a natureza é energia que libera um universo.
Apesar das boas intenções da obra, é adequado salientar que ela traz uma pequena contradição. Ao mesmo tempo que incentiva o amor à natureza e sua preservação, coloca animais silvestres em situação questionável. O volume A Cambalhota da Tartaruguinha conta a história de um garoto chamado Paulinho que ama a natureza. Certo dia, percorrendo com o pai uma feira livre, encontra uma tartaruguinha à venda. Fascinado pelo bichinho, chora até que o pai aceita comprá-la. Em casa, um apartamento, a tartaruga passa a viver ao lado de outros quatro bichos de Paulinho, um cachorro, um coelho e um papagaio. Vale lembrar que a tartaruga (na representação ilustrativa um jabuti) e o papagaio são animais silvestres e não devem ser mantidos em cativeiro nem criados como animais de estimação. Tal prática chega a ser considerada crime ambiental. Para aqueles que amam a natureza, tartarugas, papagaios e outros animais silvestres devem viver livres em seu ambiente natural.
Coleção Fazendo Arte de Martha Francisca Scripes, Editora Base, ilustrações de Arthur C. Rosseto de Castro, músicas de Vitor Hugo Gorni, caixa com oito livros acompanhados de uma fita cassete e encarte Projeto Cultural - Sugestões para Pais e Professores, R$ 30,00. Editora Base fone (41) 264-4114.





