Alemão se recusa a devolver obras de arte
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terça-feira, 19 de novembro de 2013
Folhapress 
São Paulo - O alemão Cornelius Gurlitt, filho de um marchand de arte durante o nazismo, não pensa em restituir "voluntariamente" a seus possíveis proprietários as obras encontradas em sua casa de Munique, algumas delas supostamente roubadas pelos nazistas.
Gurlitt, de 80 anos, disse à revista alemã "Der Spiegel" que seu pai, Hildebrandt Gurlitt, adquiriu as obras de forma legal e que, como herdeiro, se considera o legítimo proprietário. "Não devolverei nada voluntariamente", disse a um jornalista que afirmou ter passado 72 horas com o excêntrico idoso na semana passada. "Espero que isto seja resolvido em breve e consiga recuperar meus quadros", completou.
O octogenário explica na entrevista que tanto a justiça como a opinião pública deram uma versão "literalmente falsa" da origem de sua coleção. Gurlitt disse que entregou documentos "suficientes" aos promotores que o investigavam por fraude fiscal e apropriação de bens. De acordo com o idoso, os documentos comprovam sua inocência.
Também disse estar impactado com toda a atenção midiática do caso, incluindo a presença de fotógrafos na porta de sua casa ou que o seguem durante as compras. "O que desejam de mim?", perguntou.
O pai de Gurlitt foi um comerciante de arte que recebeu dos nazistas a missão de vender obras confiscadas, saqueadas ou extorquidas para obter divisas. Apesar de ter vendido a maior parte das obras, se apropriou de um bom número delas. As autoridades acreditavam que grande parte da coleção estava perdida ou havia sido destruída, mas elas foram encontradas durante uma investigação de rotina na casa de Gurlitt em fevereiro de 2012. O tesouro encontrado está armazenado atualmente em um local não revelado pelas autoridades alemãs.
A história dos 1.400 quadros, entre eles obras de Picasso, Otto Dix, Matisse e outros grandes nomes do século 20, foi publicada duas semanas atrás pela revista "Focus".
Várias famílias judaicas e museus já reclamaram parte das obras que foram roubadas há mais de 60 anos. Desse tesouro artístico, estima-se que 590 quadros podem ter sido apreendidos ou comprados em condições vantajosas pelos nazistas de judeus que fugiam do Terceiro Reich.
Gurlitt, a quem a "Der Spiegel" descreve como um idoso que aparentemente não entende o rebuliço criado a seu ao redor, afirma agora ao jornalista da revista que seu único propósito era "viver em casa com minhas obras de arte".
"Poderiam ter esperado que eu estivesse morto", argumenta, em relação à apreensão de todas essas obras de arte de sua casa em Munique, que, segundo ele, "são o que mais amei em minha vida".
As autoridades alemãs divulgaram até agora um lista de 25 peças da coleção na internet, mas espera-se que a próxima semana sejam publicados outros 590 quadros para acelerar sua restituição, se for comprovado que é arte depredada pelos nazistas.


