Alemão: policiais em apuros na ocupação de favela
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quarta-feira, 12 de março de 2014
Camila Gomes<br>Folhapress 
São Paulo - A história de "Alemão", que estreia hoje nos cinemas, começa dois dias antes da ocupação policial no Complexo do Alemão, no Rio, que ocorreu em 2010. Infiltrados no morro para levantar informações para a missão de pacificação, os policiais Samuel (Caio Blat), Danilo (Gabriel Braga Nunes), Branco (Milhem Cortaz), Doca (Otávio Müller) e Carlinhos (Marcello Melo Jr.) são delatados aos traficantes, chefiados por Playboy (Cauã Reymond).
Cercada pelos bandidos, a equipe se esconde em um porão, onde luta pela sobrevivência - e até mesmo entre si. "Em situações limite, tudo pode acontecer. As pessoas viram bicho e fazem coisas de que nem elas mesmas se achavam capazes", diz Gabriel Braga Nunes, sobre a trama.
Diferentemente de "Cidade de Deus" e "Tropa de Elite", o longa foca na tensão desses cinco homens. "Levamos a trama para o lado dramático e contamos a história de pessoas", afirma o diretor José Eduardo Belmonte.
Milhem Cortaz, que atuou em "Tropa de Elite", diz que foi esse foco que o interessou no projeto. "Venho de filmes voltados à crítica a instituições. Este aborda a esperança e o limite da entrega às escolhas da vida."
Filho do delegado Valadares (Antonio Fagundes), Samuel é o agente que, em meio ao desespero do grupo, se sente responsável por salvar a operação.
"Ele quer agradar o pai. Então é o único que ainda acredita na missão e luta para que dê certo", diz Caio Blat. Esse amor entre pai e filho e o amor dos homens - bandidos ou policiais - por suas mulheres permeiam a história.
O longa foi filmado em apenas 18 dias, em cinco comunidades, entre elas o Alemão, com um orçamento de R$ 5 milhões. A equipe já pensa em filmar "Alemão 2".
Favela e funk
Para viver o traficante Playboy em "Alemão", Cauã Reymond até morou na favela. "Ouvi muito funk proibidão para pegar a forma como eles falam. Eu precisava não só entender, mas mandar nos bandidos", explica Reymond.
O ator passou dois dias na casa do funkeiro MC Smith, que mora no Alemão e no filme atua como o traficante Van Damme.
"Botei as músicas e fui ensinando o dialeto para ele", diz Smith.
Ele e os atores Marco Sorriso e Jefferson Brasil, que também cresceram em favelas, dão autenticidade à trama.
Seguro, Reymond até improvisou frases em cenas. "A gente tem que deixar de ser bandido e virar criminoso", diz em uma delas. Também foi ele que inventou os apelidos dos personagens que são seus comparsas.


