Alemanha vence mostra de cinema
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sexta-feira, 31 de outubro de 2014
Luiz Carlos Merten<br>Agência Estado 
São Paulo - E o júri de ficção da 38ª Mostra de Cinema de São Paulo, integrado, entre outros, pelos cineastas Murilo Salles e Mariana Rondón, outorgou na noite de quarta-feira o troféu Bandeira Paulista a "Entre Mundos", produção alemã dirigida pela austríaca Feo Aladag. Na categoria documentário, o júri, integrado por Thom Andersen, premiou "A Guerra das Patentes", também da Alemanha, de Hannah Leonie Prinzler. Foi a segunda vitória de Feo em São Paulo. Em 2010, a atriz que virou diretora recebeu sua primeira Bandeira Paulista por "Quando Partimos", sobre mulher que foge a um casamento que a oprime em Istambul e se instala em Berlim. Como "Entre Mundos", "Quando Partimos" também trata de afeto e choques culturais.
O novo longa da diretora mostra um pelotão de soldados alemães na Guerra do Afeganistão. Diferentemente de Kathryn Bigelow, que, quando filma a guerra, é para mostrar que sua direção de cena consegue ser mais viril que a de qualquer macho, Feo não abre mão das sensibilidade. O que ela quer mostrar é a fragilização do herói. O comandante de seu pelotão passa o filme todo se desculpando. Quando resolve agir, o gesto, por mais bem-intencionado que seja, desencadeia uma estratégia equivocada. As vítimas são os próprios afegãos, e o garoto com quem o comandante se envolve (e que está na mira do Talibã). "Entre Mundos" é bom, senão exatamente grande.
Outra diretora - Hannah Leonie Prinmzler - também quer falar sobre uma guerra que a maioria nem sabe que ocorre, mas que atinge a vida de quase todas as pessoas do mundo. O documentário dela mostra como é possível patentear não importa o quê. Você poderia pensar que a patente, para salvaguardar o direito intelectual, aplica-se só às invenções. Que nada - das cores às plantas, dos animais aos genes humanos, as patentes viraram armas estratégicas de grandes empresas. E as consequências não são apenas econômicas. Atingem a qualidade de vida e até a luta por sobrevivência de pacientes de câncer. Daí a importância de "A Guerra das Patentes", como proposta para reflexão.
O público da Mostra premiou "A História da Eternidade", de Camilo Cavalcanti, como melhor ficção brasileira, e "Cássia", sobre a cantora Cássia Eller, como melhor documentário, também brasileiro. A crítica outorgou seu prêmio a "Leviatã", do russo Andrey Svyagintsev. E a Abraccine, Associação Brasileira dos Críticos de Cinema, premiou "Casa Grande", de Fellipe Barbosa, como melhor brasileiro. A repescagem da Mostra prossegue durante toda a semana no Cinesesc, com a apresentação de 27 filmes. Os premiados, e também algumas raridades, como o deslumbrante "O Sol do Marmelo", de Victor Erice, de 1993, e "Antes, o Verão", de Gerson Tavares, de 1968, que adapta o romance homônimo de Carlos Heitor Cony, com Norma Bengell e Jardel Filho suntuosamente filmados em P&B por José Rosa.
VENCEDORES
Prêmio do Júri - Ficção
Entre Mundos, de Feo Aladag
Prêmio do Júri - Doc
A Guerra das Patentes, de Hannah Leonie Prinzler
Prêmio do Público
Do Que Vem Antes, de Lav Diaz
Relatos Selvagens, de Damián Szifrón
SAM, de Elena Hazanov
Prêmio da Crítica
Leviatã, de Andrey Zvyagintsev
Prêmio da Abracine
Casa Grande, de Fellipe Barbosa
Prêmio Humanidade
Geraldine Chaplin


